Quem não tem medo de morrer?

iG Minas Gerais |

Não sei quem disse que “a morte para os velhos quanto mais tarda, mais se aproxima”. Penso que todo mundo tem medo de morrer, mesmo aqueles que dizem que não têm, e também que, apesar de fazer parte da natureza humana, a morte é contraditória, pois, afinal, ninguém pede para nascer. Mas tudo que nasce morre, mesmo quem já deu uma “morridinha”, como eu, que passei uns poucos minutos do lado de lá e que, não fossem os cobras do Felício Rocho – Alda, Ari e Fábio –, não estaria aqui para contar a história. Às vezes alguém pergunta como é do lado de lá. Digo: escuro, é bom se prevenir com uma lanterninha... Com essa experiência, talvez eu tenha ficado mais cético. Nós, humanos, somos volúveis, uns mais, outros menos. Mas eu continuo com medo da morte, embora não tanto quanto antes. Eu tinha tanto medo de morrer que corri o risco de morrer de medo de morrer. E tinha ainda mais medo de perder meus pais. Isso quando menino e adolescente; hoje, depois que os perdi, o medo é de perder filhos, netos... Deus me livre de uma desgraça dessas. Não perdi o medo, mas talvez tenha mudado de medos. Já disse, em outra crônica, aqui mesmo, que, infelizmente, tenho, ao que me parece, a fé fraca da conveniência e, assim, confundo fé com medo. Medo de quê, não sei, talvez da vida, porque é dela que vem a morte. E por que me meto a filosofar sobre assunto tão fúnebre? Porque estou morrendo de pena da família de Eduardo Campos, que eu nem conhecia pessoalmente, e das famílias de seus companheiros de infortúnio. Eduardo teve uma morte brutal, mas de pouco sofrimento. Fiquei e estou machucado é com a dor de sua bonita família, mais ainda por saber que seu último filhinho nasceu com a síndrome de Down, e esse povo é diferente, tal o amor e a solidariedade que inspira. Viver é perigoso, e viver fazendo política é muito mais, principalmente em tempo de campanhas e quando o candidato é pessoa de caráter sem jaça. Nesse aspecto, parece que os sacripantas não correm perigo. Nunca vi vagabundo morrer em campanha. Ladrão de casaca e beberrões inconsequentes, então, parece que são vacinados contra tudo, inclusive morte em campanha. Deve ser porque Deus não os quer tão cedo... Quanto às consequências desse pavoroso desastre que ceifou a vida de pessoas importantes, vamos esperar passar o tempo de luto para falar dos efeitos políticos, que são muitos e podem modificar nosso destino, para melhor ou pior. Um país só é sério e civilizado quando seu povo trabalha honestamente e sua elite política tem o senso comum da justiça e da fraternidade. Estamos longe desse estágio, infelizmente. Minha opinião é que muitas luas se passarão até que o Brasil se livre desses governos que infestaram e desvaneceram nossas esperanças, enquanto ficamos a lastimar: “Ó fatalidade atroz que a mente esmaga”, como disse o poeta maior.

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