Diversidade sexual marca presença

Palco Guaicurus, na rua famosa por seus prostíbulos, traz programação mais experimental e LGBT

iG Minas Gerais | gustavo rocha |

Trans. Toda Deseo apresentará “No Soy Un Maricón” em palco afeito às discussões de sexualidade
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Trans. Toda Deseo apresentará “No Soy Un Maricón” em palco afeito às discussões de sexualidade

Ao tentar contemplar e mostrar a diversidade da produção artística de Belo Horizonte, a Fundação Municipal de Cultura buscou desdobrar a segunda edição da Virada Cultural em outras frentes. Assim, dois recortes da programação chamam a atenção: o Palco Guaicurus, localizado na rua com passado e presente fundados na boêmia e prostíbulos ao longo de sua extensão e a Viradinha, programação destinada ao público infantil.  

O primeiro tem como foco principal o público LGBT e busca abranger a ideia de um palco Cabaré. “Tivemos em alguns museus, a experiência de colocar recepcionistas trans. Acho essa uma discussão importante pela coragem de trazer isso para dentro da Fundação Municipal de Cultura”, pontua Leônidas Oliveira, presidente da FMC.

A programação do Palco Guiacurus terá: “Por um Fio”, do Grupo Experimental Mimulus, Pole Dance com Naiara Beleza, “No Soy Un Maricón: O Espetáculo - Festa”, da Toda Deseo, encontro de Blocos do Carnaval de Rua de Belo Horizonte, como Baianas Ozadas, a exposição de fotografias com prostitutas “Aparecidas”, de Bianca Aun, e a inusitada “volta” de Márcio Greik. “Esse é um palco diferenciado, com características mais experimentais, mais cool, mais nostálgico e até meio brega. Mas o brega está na moda, não é mesmo?” indaga a diretora de ação de cultura da FMC, Simone Araújo.

Já a programação Viradinha se centra nos “pequenos” que, segundo Araújo, “serão os frequentadores da Virada quando o evento fizer dez anos de vida”. Ao contrário do Palco Guaicurus, ela está diluída em vários espaços, principalmente o Parque Municipal. “Um Baú de Fundo Fundo”, do grupo Giramundo, O Picadeiro Aéreo do Circo Escola de São Paulo e “Mini Teatro de Sombras”, do Grupo Girino, estão na programação. Além disso, para crianças “de todas as idades”, todos os brinquedos do parque funcionarão durante as 24 horas.

Novo paradigma? O ir e vir livre que a Virada Cultura preconiza causa em Oliveira uma onda de otimismo, que o faz crer em dias melhores. “Essa circulação sem grades, faz parte desse novo olhar para a cidade, que tem de preservar a diversidade, expressa na fluidez urbana. A cidade deve ser entendida como espaço da convivência”, filosofa.

Com essa ideia de compartilhamento, um café da manhã será oferecido às 8h de domingo, “para aqueles que resistirem à virada”. “Mesa de Tereza”, da artista Thereza Portes, busca “muito mais do que comida em si, mas alimento para a alma”, pontua Araújo.

Um dos aspectos, finalmente, destacados da edição de 2013, foi a ausência de confusões ou incidentes violentos. “A Virada mudou o paradigma de ocupação dessa cidade. Eu morri de medo no ano passado, porque não vi tanta polícia na rua, mas ainda assim não tivemos nenhum Boletim de Ocorrência”, diz. Mas nem tudo são flores, dentre as coisas, que segundo ele, precisam melhorar está a limpeza dos espaços. Oliveira garantiu que há um acordo com a SLU para que os garis trabalhem durante todo o evento.

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