Bancos e Petrobras conduzem Bolsa ao maior nível em 17 meses

Durante o dia, a máxima do Ibovespa, principal índice da Bolsa, chegou a 58.474 pontos

iG Minas Gerais | DA REDAÇÃO |

A Bolsa de Valores brasileira renovou sua máxima nesta terça-feira (19) e fechou aos 58.449 pontos, o maior patamar em 17 meses, desde 11 de março de 2013.

Durante o dia, a máxima do Ibovespa, principal índice da Bolsa, chegou a 58.474 pontos. No ano, o Ibovespa já acumula ganhos de 13,48%. O volume financeiro no pregão somou R$ 7,22 bilhões, dentro da média do mês.

A alta desta terça (19) foi impulsionada pela valorização nos papeis de bancos e Petrobras, impulsionados pela corrida eleitoral e por um dia positivo pelo mundo.

Segundo Pedro Galdi, analista chefe da SLW Corretora, o mercado repercutiu a entrevista da presidente Dilma Rousseff ao "Jornal Nacional", da Rede Globo, nesta segunda (18) e discute a candidatura de Marina Silva e o nome a ser indicado para concorrer à Vice-Presidência nesta chapa.

Para o presidente da Magliano Corretora, Raymundo Magliano Neto, há ainda maior otimismo no mercado financeiro em relação à candidatura de Marina Silva (PSB). "Houve uma boa aceitação do Eduardo Giannetti, economista que a assessora, porque ele declarou que seus planos econômicos são parecidos com os do Aécio", disse.

Com o início do horário político e a aproximação dos debates entre os presidenciáveis, o tema deve continuar gerando volatilidade na Bolsa. "Continuamos influenciados pelo cenário político", define Galdi, da SLW.

Magliano Neto destacou ainda a força dos bancos no pregão desta terça (19). "Bancos têm se mostrado eficientes e lucrativos quando a economia vai bem e também quando ela vai mal", afirma.

Os papeis do Itaú encerraram as negociações com alta de 3,41%, cotados a R$ 37,51. Já as ações do Bradesco subiram 3,95%, a R$ 38,46.

Por fim, houve ainda uma importante contribuição do cenário externo, positivo. Em seu relatório de fechamento, a BB Investimentos ressalta que o Ibovespa operou em alta durante todo o dia "acompanhando a retomada do otimismo dos mercados mundiais com o abrandamento das tensões geopolíticas e também com a boa recepção aos índices de inflação nos EUA e na Grã-Bretanha, o que renova as expectativas sobre uma demora maior para elevação das taxas referenciais de juros por parte dos Bancos Centrais.

No câmbio

Na avaliação do diretor da NGO Corretora, Sidnei Nehme, a taxa de câmbio foi objeto de especulação dos investidores no pregão.

O dólar comercial, utilizado em negociações de comércio exterior, encerrou o dia em baixa de 0,39%, cotado a R$ 2,25. Já o dólar à vista, utilizado como referência nas negociações do mercado financeiro, recuou 0,16%, a R$ 2,256.

"Temos uma situação bastante difícil de fluxos cambiais no Brasil, então o dólar em si não justifica esse movimento (de queda)", afirma Nehme.

Para o executivo, os investidores estão apostando em relação ao cenário eleitoral para tentar conseguir ganhos em 2015. "A eventual mudança de um governante e da política monetária irão afetar o ano que vem", afirma, "Estamos tendo nesta onda eleitoral um movimento de formação de posições para ganhar depois".

Outros destaques

As ações da CSN fecharam o pregão em alta, apesar da divulgação de dados negativos relativos ao preço do minério de ferro na China. Os papeis da companhia subiram 1,41%, cotados a R$ 10,78, e impulsionados principalmente pelo programa de recompra de ações iniciado pela CSN nesta terça.

A empresa pretende recomprar até 63,1 milhões de ações até o dia 25 de setembro de 2014. Este é o sexto programa do tipo anunciado pela companhia no ano.

A Ambev também foi beneficiada pela possibilidade de postergação dos impostos sobre as bebidas frias. A medida começaria a valer no dia 1º de junho, mas havia sido postergada pelo governo para o dia 1º de setembro. Os papeis da companhia subiram 0,99%, a R$ 16,30.

A presidente Dilma Rousseff também afirmou que não pretende aumentar o imposto sobre os produtos nos próximos dias e que cumprirá o acordo feito com o setor.

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