Famílias querem fim do sigilo

Parentes do piloto irão se unir ao PSB para derrubar segredo na investigação de desastres

iG Minas Gerais | Isabella Lacerda |

Peregrinação. Túmulo de Eduardo Campos foi visitado por populares durante todo o dia de ontem
PEDRO DE PAULA/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEúDO
Peregrinação. Túmulo de Eduardo Campos foi visitado por populares durante todo o dia de ontem

Familiares de um dos pilotos mortos no acidente de avião em Santos, na última quarta-feira, que vitimou o presidenciável Eduardo Campos e outras seis pessoas, irão se juntar ao PSB e pedir a quebra do sigilo das investigações sobre as causas de acidentes aéreos no país. Como mostrou O TEMPO no último domingo, lideranças do partido se dizem “intrigadas com a causa do acidente” e querem acompanhar de perto as apurações, a cargo do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), ligado ao Ministério da Aeronáutica.  

Nesta segunda, o irmão mais velho de Geraldo Magela, copiloto da aeronave Cessna 560 XL, Eduardo Barbosa, afirmou que os problemas apontados como possíveis causas do acidente são “questionáveis”. “Meu irmão era experiente, assim como o piloto (Marcos Martins). Queremos ir até o fim nessa investigação e exigimos a quebra do sigilo”, disse ele ao se referir à suspeita levantada por militares da Força Aérea Brasileira (FAB), que teriam apontado como forte a possibilidade de uma falha humana.

Parentes de Magela entraram em contato com familiares do piloto Martins e pretendem se unir para tentar acabar com o sigilo.

Segundo Barbosa, o principal motivo que leva à desconfiança sobre o acidente é a ausência da gravação do áudio da caixa-preta do avião e a provável ocorrência de fogo na turbina – moradores afirmam ter visto uma “bola de fogo” no céu. “Meu irmão tinha cuidado com tudo o que fazia. Não há explicação para o problema na caixa-preta. A questão da turbina é ainda mais questionável, já que o avião era seguro e permitia viajar usando apenas uma turbina”, alega.

Técnicos. Especialistas ouvidos por O TEMPO afirmam que a única justificativa para a ausência do áudio seria um problema mecânico. “O piloto não consegue desligar. A checagem do gravador é feita nas manutenções. Mas não no dia a dia. No pré-voo tem que ver se tem algum recurso de proteção desconectado”, assegura um piloto com mais de 22 anos de experiência, que pediu para não ter o nome divulgado.

Sobre o possível problema na turbina, o profissional da aviação é enfático. “Ele teria saído da condição de pane em que estava. Somos treinados para isso, para encarar um fogo no motor e segurar o voo. Pelo que estamos entendendo, o piloto teve um problema muito instantâneo”, opina.

Para o diretor de regulamentação do Sindicato Nacional dos Aeronautas (SNA), Rodrigo Spader, o problema enfrentado pelos comandantes do voo foi imediato. “Não foi feita nenhuma comunicação pelo piloto por falta de tempo. Quando há um problema, a ordem é tomar as medidas emergenciais e depois comunicar os responsáveis”, assegura. Ele garante ainda que as falhas nos áudios “não são habituais”.

A reportagem teve acesso ao check-list usado pelos pilotos para a conferência dos equipamentos antes da decolagem. Nele, consta a checagem do CVR, equipamento responsável pela gravação. Já segundo duas resoluções da Agência Nacional de Aviação (Anac), é atribuição de um comandante a certeza do funcionamento dos aparelhos da aeronave, além da comunicação imediata de eventuais problemas internos durante a viagem. No dia do acidente, o piloto Marcos Martins não comunicou qualquer problema, apenas informou dificuldades de visão no momento da aterrissagem.

Problema anterior

Histórico. Um vídeo surgido após a tragédia que matou Eduardo Campos mostra o socialista relatando um problema com o mesmo avião, só que durante uma viagem ao Paraná, em junho. Na ocasião, o presidenciável precisou ir de carro até o local da agenda.

Homenagem. Acontece nesta terça, no Recife, a missa de sétimo dia em homenagem a Campos.

PSB quer acompanhar perícia com comissão no Congresso O PSB vai pedir nesta quarta ao presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), que instale uma comissão especial mista no Congresso para acompanhar as investigações do acidente aéreo que matou Eduardo Campos e outras seis pessoas na última quarta-feira, em Santos. O presidente do PSB mineiro, deputado federal Júlio Delgado, afirmou nesta segunda que o objetivo é acompanhar de perto o trabalho dos peritos, uma vez que não pode haver “suspeição” sobre o acidente. Questionado se acredita que houve algum tipo de sabotagem, Delgado afirmou que “a gente não pode afirmar hoje que isso aconteceu, mas também não podemos dizer que não aconteceu”.

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