Rafael Herzberg

Engenheiro elétrico Consultor de energia

iG Minas Gerais | Juliana Gontijo |

O que levou os Estados a disputarem água?

São vários fatores. O problema não foi só a falta de chuva neste ano, ele vai além, passa pela má gestão dos recursos hídricos pelo governo federal, pela falta de planejamento energético. O fato é que o Brasil não se preparou. Optou-se pelas hidrelétricas e, nos últimos anos, pelas usinas a fio d’água, que são aquelas que não dispõem de reservatório de água, ou o têm em dimensões menores do que poderiam ter, levando em conta questões ambientais. Só que hoje, sem água suficiente nas hidrelétricas, acabamos usando mais as térmicas, que queimam gás natural, ou seja, elas poluem o meio ambiente. O que se percebe é que ainda falta muita informação e o olhar global. Temos problema de fornecimento de energia no país, só que oficialmente o governo não admite e faz cara de paisagem. No fim, fica um jogo de empurra. O governo federal coloca a culpa nos Estados e vice-versa. O fato é que os técnicos já vinham percebendo o problema, mas o governo não fez nada. Poderia ter começado uma campanha de economia de energia, por exemplo.

Quais os impactos da falta de água?

Além da geração de energia, tem reflexos na economia, já que, com custos altos de energia, tem empresas deixando o país. O preço da energia não cabe no plano de negócios das empresas, é um insumo caro. Na cidade de São Paulo, já existe um rodízio não declarado de água. Na madrugada chega a faltar, ou ela vem com pouca pressão. 

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