Lucro da Cemig cresce 20%

Mesmo com crise no setor, estatal amplia ganhos com venda de energia com preço valorizado

iG Minas Gerais | Juliana Gontijo |

Balanço. Luiz Fernando Rolla atribui o lucro à estratégia comercial e ao aumento da produtividade
JOÃO MIRANDA - 16.8.2012
Balanço. Luiz Fernando Rolla atribui o lucro à estratégia comercial e ao aumento da produtividade

Em meio à crise do setor energético, a Cemig lucrou R$ 740,9 milhões, 20% a mais no segundo trimestre de 2014 em relação ao mesmo período do ano passado. E foi exatamente a crise que deu um empurrão, pois o resultado foi influenciado pelos ganhos com venda de energia no curto prazo. Com a baixa oferta e o preço valorizado, a receita da companhia com transações nesse mercado subiu mais de três vezes, somando R$ 940,37 milhões no segundo trimestre. Isso foi possível porque a empresa tinha maior disponibilidade de energia para liquidar e o preço de venda dessa energia (PLD) ficou bem mais alto que no ano passado.

O diretor de finanças e relações com investidores da Cemig, Luiz Fernando Rolla, afirmou que o resultado está mais relacionado à estratégia comercial e ao aumento da produtividade do que à situação conjuntural. “Só o preço da energia não nos levaria ao lucro que conseguimos”, justifica. A empresa também teve aumento na receita com energia vendida para os consumidores finais de 21,5%, para R$ 3,74 bilhões. Entretanto, conforme a companhia, os custos e as despesas operacionais aumentaram 27,31%, para R$ 3,4 bilhões, em grande parte pelo crescimento dos gastos com energia comprada para a revenda. O aumento com essa despesa foi de 43,58%, para R$ 1,87 bilhão. As companhias que atuam no segmento de distribuição estão sentindo a alta com os custos, pois tiveram que adquirir eletricidade para atender os seus mercados. Os preços estavam altos por causa do baixo nível dos reservatórios das hidrelétricas, além do impacto da geração térmica. São Simão. A Usina de São Simão, localizada no Rio Paranaíba, entre Minas Gerais e Goiás, que pertence à Cemig, deve seguir o mesmo caminho da usina hidrelétrica de Jaguara, situada no Rio Grande, entre Minas Gerais e São Paulo, ou seja, a Justiça, conforme o diretor de finanças e relações com investidores, Luiz Fernando Rolla. No começo de agosto, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) se posicionou) contra o pedido de prorrogação feito pela Cemig, por mais 20 anos, da concessão da hidrelétrica de São Simão, que administra desde 1965. A avaliação será encaminhada agora ao Ministério de Minas e Energia, que tem a palavra final. E a aposta da Cemig é que a companhia mineira, assim como aconteceu com Jaguara, receberá um “não”.

Na Justiça STF. No caso de Jaguara, um pedido de vista no STF suspendeu o julgamento para saber se a Cemig pode prorrogar a concessão da usina, que terminou no dia 28 de agosto de 2013.

O que é Exposição involuntária: Com a MP 579, o governo determinou que as geradoras antecipassem a renovação de concessões que venceriam em 2017. Em troca, teriam que vender energia a R$ 30 o Mwh, enquanto no mercado custava R$ 100. Nem todas aceitaram. Faltou energia e faltou chuva para gerar mais. Sem ter de quem comprar, as distribuidoras ficaram expostas.

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