Estrangeiros reclamam de muita burocracia no programa de start-ups

Francês diz ter aprendido que é difícil, mas no fim as coisas dão certo

iG Minas Gerais |

Uma boa ideia. Start-ups são novas empresas de base tecnológica que desenvolvem serviços ou produtos inovadores
MARCELO CAMARGO/AGÊNCIA BRASIL
Uma boa ideia. Start-ups são novas empresas de base tecnológica que desenvolvem serviços ou produtos inovadores

SÃO PAULO. O francês Patrick Kedziora, 57, diz que aprendeu ao menos uma coisa nos seis meses em que está no Brasil: apesar das dificuldades, no fim, as coisas dão certo. Ele é fundador de uma das dez empresas iniciantes de tecnologia estrangeiras que participam do Start-Up Brasil, um programa do governo federal para aceleração de negócios que prevê investimento de até R$ 200 mil em cada um. Mas Kedziora, que no Brasil está desenvolvendo uma nova versão do Kedzoh, um sistema para treinamentos corporativos por plataformas móveis, reconhece que um estrangeiro pode ficar frustrado pela burocracia do país, apesar de receber o dinheiro a fundo perdido do governo. Desde abrir uma conta no banco até começar a receber as quantias do programa. O norte-americano Sean Kilachand, 25, um dos criadores do EduSynch, aplicativo para ensino de inglês pelo celular, foi aprovado na primeira rodada do programa, em julho do ano passado. Ele só conseguiu começar a receber os recursos em janeiro, e a pagar os funcionários em maio, algo que considera uma enorme distração. Para o diretor de operações do programa Start-Up Brasil, Felipe Matos, não é surpreendente que as empresas estrangeiras encontrem dificuldades na burocracia brasileira. “O Brasil é um país difícil para estrangeiros, e não só para quem vem empreender. É um ponto em que precisamos avançar”. Ele diz que, para auxiliar no processo de adaptação das start-ups, o programa oferece aceleradoras privadas que se tornam sócias locais dos negócios. Segundo Matos, o programa também envia aos participantes um manual com um passo a passo para a instalação do negócio.

Saiba mais sobre o programa

Start-Up Brasil O programa, em parceria com aceleradoras privadas, busca apoiar empresas nascentes de base tecnológica – as start-ups – de até quatro anos de existência que desenvolvam produtos ou serviços inovadores utilizando software, hardware ou serviços de TI. Investimento As start-ups aprovadas recebem até R$ 200 mil em bolsas e participam de atividades de aproximação com investidores e clientes, eventos de capacitação e networking. Aceleradoras As aceleradoras oferecem um programa de aceleração com duração de 3 a 12 meses composto por mentorias, capacitações, infraestrutura, serviços de parceiros e acesso a potenciais clientes e investidores. As aceleradoras realizam investimento financeiro nas start-ups entre R$ 20 mil e R$ 150 mil e se tornam sócias do empreendimento. Empresas Participam da iniciativa, que é gerida pelo Ministério de Ciência e Tecnologia, 88 companhias, entre brasileiras e estrangeiras. Flash Seleção. Para receber o investimento, que só pode ser usado para pagar salários, donos das start-ups passam pela seleção do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

Aceleradora inaugura espaço coletivo em Belo Horizonte A Techmall, uma das 15 aceleradoras credenciadas pelo programa Start-Up Brasil, abre as portas de sua nova sede no bairro Prado, em Belo Horizonte, nesta quinta-feira, dia 21. Haverá um evento aberto ao público com convidados experientes, como Nivio Ziviani, cofundador da Miner Technology Group, da Akwan Information Technologies e da Zunnit Technologies; Edmar Ferreira, CEO da Rock Content, e Ezequiel de Melo, sócio da Melo Campos Advogados, que fala sobre como preparar start-ups para receber investimentos. Também estará em Belo Horizonte o gerente de aceleração do programa Start-Up Brasil, Igor Mascarenhas, que conversa sobre validação de negócios. A Techmall faz parte do Speed-e-Group e proporciona à start-up selecionada o envolvimento direto de sua equipe. Segundo a empresa, são mais de 60 mentores e parceiros que participam de várias partes do processo de aceleração, contribuindo na aplicação da metodologia.

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