De Pablo Picasso a Jean Basquiat

Oito galerias traçam mapa da mentalidade artística de Ludwig e discutem relação entre pintura e fotografia

iG Minas Gerais | Daniel Oliveira |

Pop Art. Paixão de Ludwig, o movimento vem representado por obras como “Ruínas”, de Roy Liechtenstein
Roy Liechtenstein
Pop Art. Paixão de Ludwig, o movimento vem representado por obras como “Ruínas”, de Roy Liechtenstein

Quem visitar a exposição “Visões na Coleção Ludwig”, no Centro Cultural Banco do Brasil, vai iniciar seu trajeto por onde tudo começou para o colecionador alemão. A primeira galeria da mostra traz “Cabeças Grandes”, uma das várias obras de Pablo Picasso pertencentes a Peter Ludwig, que dedicou sua dissertação no curso de história da arte ao espanhol e cuja coleção do pintor perde apenas, em número, para as cidades de Paris e Barcelona.

“A exposição começa com esse marco do século XX, referência para os artistas que se dispuseram a ir além do que significou a vanguarda, o cubismo, dando o tom do que vem a seguir”, explica a coordenadora da exposição, Ania Rodriguez.

Na sequência, vêm duas galerias dedicadas a outra grande paixão de Ludwig. A segunda traz todo o acervo de pop art da mostra – incluindo obras de Andy Warhol, Roy Liechtenstein, Claes Oldenburg, Jasper Johns e Jeff Koons – e a terceira apresenta obras referentes ao movimento.

“Um dos destaques é um mural feito a quatro mãos por Jean-Michel Basquiat e pelo Warhol. Um grafite que apresentou o Basquiat para o mundo e que vai deixar o público muito agradecido”, provoca Rodriguez.

Além de espaços dedicadas ao neoexpressionismo alemão e aos não-conformistas russos, outro destaque fica por conta de uma galeria dedicada exclusivamente a uma única obra, que revela outra importante linha temática da exposição. Em “48 Retratos”, o alemão Gerhard Richter pinta uma série de intelectuais ilustres a partir de suas fotografias selecionadas em uma enciclopédia.

“O trabalho apresenta esse diálogo entre pintura, como referência da fotografia, e fotografia como fonte da pintura”, analisa a coordenadora. Ela ressalta que, apesar de a maior parte da mostra se constituir de pinturas – com algumas poucas esculturas e outros meios – essa relação com a fotografia se faz presente em muitas outras obras na exposição, associadas às escolas mais conceituais do século XX.

Richter realizou “48 Retratos” em 1972. Vinte anos depois, ele faria o trabalho inverso, transformando as pinturas em fotos. A galeria dispõe as duas versões, além de uma interessante releitura feita pelo austríaco Gottfried Helnwein. “Ele percebe que os 48 intelectuais retratados são homens e faz uma série com 48 mulheres”, conta Rodriguez.

Mas a obra que não vai deixar essa relação entre pintura e fotografia passar despercebida pelo público é “Cabeça de Criança”, do mesmo Helnwein. Com 6,5m de altura por 4m de largura, o enorme e impactante retrato hiper-realista de uma menina de olhos fechados vai ocupar o pátio do CCBB. “Faz parte do trabalho que ele fez em memória à Noite dos Cristais – o início de toda a barbárie do Holocausto –, e foi originalmente pensada para uma estação na Alemanha para lembrar dos horrores do nazismo”, explica.

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