'Enfrentamos a crise sem demitir e arrochar salários', diz Dilma

Presidente defendeu política econômica e afirmou que governo investiu em combate à corrupção

iG Minas Gerais | Da Redação |

Dilma Rousseff dá entrevista no Jornal Nacional
PT/Divulgacao
Dilma Rousseff dá entrevista no Jornal Nacional

Mesmo sem admitir números ruins da economia, a presidente e candidata à reeleição, Dilma Rousseff (PT), afirmou que seu governo enfrentou a crise internacional sem demitir ou arrochar salários "como acontecia antes". A declaração foi dada em entrevista ao "Jornal Nacional", da "TV Globo", na noite desta segunda-feira (18). Dilma foi confrontadas com questões polêmicas e afirmou acreditar que a economia irá melhorar no segundo semestre.

"Nós enfrentamos a crise pela primeira vez não desempregando, não arrochando, não aumentando tributos. Pelo contrário, reduzimos e desoneramos a folha, nós reduzimos tributos da cesta básica. Nós temos uma melhoria prevista no segundo semestre. Os índices antecedentes evidenciam uma melhoria. Os índices de quantidade de papelão comprada, gasto de energia, produção de veículos, todos os índices indicam uma recuperação no segundo semestre em relação ao primeiro. A inflação cai desde abril e ela atinge hoje 0%. Zero. O último dado do IPCS (Índice de Preços ao Consumidor Semanal) chegou a 0,08", defendeu-se.

Logo no início da entrevista, Dilma Rousseff foi confrontada com os casos de corrupção que geraram a queda de ministros e questionada se o fato de ter colocado pessoas da confiança dos denunciados não geraria uma crise de confiança no governo. A presidente, no entanto, afirmou que vários dos acusados não foram condenados, mas defendeu os investimentos do governo federal em transparência e combate à corrupção.

"Fomos aquele governo que mais estruturou os mecanismos de combate à corrupção, irregularidade e malfeitos. A Polícia Federal ganhou imensa autonomia para investigar, descobrir, prender. Além disso, tivemos relação respeitosa com Ministério Público, o procurador geral da República em nosso governo não foi chamado de engavetador geral, pois escolhemos com absoluta isenção entre os procuradores", afirmou.

Em relação ao afastamento de ministros e a colocação de apadrinhados deles nos cargos, ela lembrou que "nem todas as pessoas denunciadas foram punidas pelo Judiciário e tiveram comprovadamente culpa". Dilma ainda afirmou que as quedas, muitas vezes, se deram por questões relacionadas à pressão que sofriam.

"Muitas não tiveram como resistir à pressão da família ou a apresentação da pessoa como um corrupto", disse, antes de dizer que tinha absoluta confiança, tanto nos que saíram quanto nos que entraram.

Apesar das insistentes perguntas para comentar a reação do PT, que apoiou os condenados no escândalo do mensalão, a presidente da República não quis falar sobre o tema. Alegou que, como chefe do Poder Executivo, não poderia comentar a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF).

"Enquanto eu for presidente não externo opiniões a respeito do julgamento do Supremo. Não é a primeira vez que respondo sobre isso. Durante o processo inteiro eu disse isso".

A presidente da República ainda defendeu as políticas adotadas pelo governo na área de saúde, como o "Mais Médicos". Segundo ela, os 14 mil médicos do programa garantem o atendimento de 50 milhões de pessoas. Apesar disso, reconheceu que o país ainda vive uma situação delicada no setor. A solução, segundo ela, passa por uma nova discussão federativa, já que nem todos os âmbitos da saúde são de responsabilidade do governo federal.

Ela encerrou tentando passar uma imagem de otimismo aos seus eleitores: "Eu acredito no Brasil. Mais do que nunca precisamos acreditar e diminuir o pessimismo".

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