Fim da campanha polarizada

Com a entrada de Marina Silva na disputa, tucanos e petistas admitem mudança no cenário

iG Minas Gerais |

Substituta. Com 19,6 milhões de votos em 2010,>Marina deverá ser confirmada como a grande aposta do PSB no lugar de Campos
Fernando Frazão/Agência Brasil
Substituta. Com 19,6 milhões de votos em 2010,>Marina deverá ser confirmada como a grande aposta do PSB no lugar de Campos

SÃO PAULO. A entrada de Marina Silva na disputa presidencial rompe a lógica de polarização da campanha entre PT e PSDB. Com 19,6 milhões de votos obtidos na eleição presidencial de 2010, quando disputou pelo PV e ficou com quase 20% dos votos válidos, Marina coloca o PSB no páreo por um lugar no segundo turno.  

Nem PT, nem PSDB, porém, pretendem transformá-la em alvo de ataques durante o primeiro turno, não só na tentativa de manter um bom relacionamento para o segundo turno, mas também para aguardar que diminua a comoção gerada pela morte de Eduardo Campos e possam mensurar o efeito da tragédia na atração de votos para Marina.

Alberto Goldman, vice-presidente do PSDB, afirma que a presença de Marina Silva terá um impacto muito maior da campanha eleitoral do PT do que na campanha do tucano Aécio Neves. “O Campos (Eduardo Campos) não era parte da disputa real. Ele não tinha mais como subir. Ela (Marina) tem um recall imenso da última eleição e representa bem mais do que o Eduardo o desânimo com a política”, disse Goldman, que comparou a imagem de Marina à de Madre Tereza de Calcutá.

Na avaliação de Goldman, Marina Silva vai quebrar a linha de raciocínio das últimas campanhas petistas, que buscavam transformar o embate numa disputa de pobres contra ricos, num embate contra uma suposta elite que representa atraso e retrocesso. “Não tem mais polarização entre PT e PSDB”.

Segundo o vice-presidente do PSDB, o PSDB não deve mudar sua campanha e continuará se colocando como oposição ao PT. “Nosso inimigo se chama Dilma, Lula e PT. Nossa campanha é contra ele, oferecendo uma alternativa. Irá para o segundo turno quem oferecer a melhor alternativa. Só existe um candidato de situação. Os demais são oposição e, mais do que derrotar o atual governo, é preciso discutir quem é o melhor para governar, quem tem mais experiência e capacidade de montar alianças”, explicou.

Na avaliação de Goldman, ao contrário do PSDB, que continua a centrar fogo contra o inimigo de sempre, o PT terá de enfrentar uma candidata que já esteve na legenda e saiu por discordar dela e que é crítica em relação ao atual governo. No lugar de ter um único opositor, o PT terá de enfrentar dois. “O segundo turno está decidido: vai ter”.

Já o secretário de comunicação do PT, José Américo, afirmou que o principal adversário continua a ser Aécio Neves (PSDB) e que, no caso da nova candidata do PSB, será adotado um tom de respeito, até pela sua proximidade com alguns políticos petistas. “É com o Aécio Neves que vamos polarizar. Ela será tratada com respeito. Mas eleição é eleição. Se ela for para o segundo turno, vamos destacar as nossas diferenças, mas não será uma polarização”, explicou.

Na avaliação de Américo, ainda é cedo para fazer qualquer avaliação sobre o efeito de Marina na campanha, o que só será possível entre 10 e 15 dias, com a divulgação das primeiras pesquisas eleitorais após início da campanha eleitoral na TV, marcado para esta segunda. “Ainda acho que está muito cedo para definir qualquer coisa. O cenário mais provável é de vitória da Dilma do primeiro turno”, afirmou.

Florisvaldo Costa, secretário de Organização do PT, encarregado de fazer o mapa das alianças nos Estados, não acredita que a candidatura de Marina Silva seja tão impulsionada pela comoção causada pela morte de Campos. “A Marina continua sem palanque nos Estados, sem uma boa estrutura de campanha, e a tendência é perder palanques que eram do Eduardo Campos. Mas quem vai ter o primeiro problema é o Aécio Neves. Ele é que terá de olhar para frente e para o retrovisor”.

Histórico

Ex-petista. Marina Silva fez parte do PT entre 1985 e 2009, quando deixou o partido para se filiar ao PV. Chegou a ser ministra do Meio Ambiente do governo Lula entre 2003 e 2008.

Filho de Eduardo é cotado para seguir passos do pai na política Recife. O irmão de Eduardo Campos, Antônio Campos, sugeriu neste domingo que a família Arraes não vai deixar a política. Ele disse que torce para que seu sobrinho João, filho mais velho de Eduardo, ingresse na política e assegurou que sua cunhada Renata não deve aceitar, neste momento, qualquer proposta para ser candidata. “Isso não foi colocado agora. Renata está priorizando a criação dos filhos, mas ela é quadro político importante, fez política com Eduardo também, e foi uma valorosa companheira do meu irmão”, disse. Renata deve se reunir com as principais lideranças partidárias que compõem a aliança da Frente Popular em Pernambuco para pedir comprometimento com os ideias do marido.

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