Tragédia traz medo de voar

Em época de eleição, viagens de avião, a maioria voo fretado, são rotina no dia a dia dos candidatos

iG Minas Gerais | Tâmara Teixeira |

Assustador. Cenário do acidente com Eduardo Campos deixou marcas e os candidatos que voam muito para campanha ficaram preocupados
TÃnia Rego/Agência Brasil14.8.2014
Assustador. Cenário do acidente com Eduardo Campos deixou marcas e os candidatos que voam muito para campanha ficaram preocupados

Podia ter sido eu”. Esta tem sido a frase mais comum no meio político entre os lamentos e reflexões diante da morte trágica e prematura do presidenciável Eduardo Campos (PSB). O socialista perdeu a vida em circunstância vivida quase que diariamente pela maioria daqueles que estão em campanha: a rotina intensa de viagens ao interior do Estado ou do país. Na corrida eleitoral, não tem tempo ruim e, mesmo que ele paire no ar, a ordem pode ser decolar, conforme relatos de candidatos a O TEMPO.

“Às vezes o piloto diz que não há condições de descer, mas a gente insiste. ‘Tem que descer, tem que descer’. Podemos induzir ao erro. Já vivi momentos de tensão e não insisto mais. Mas já forcei. Podia ter sido com qualquer um de nós”, afirma o deputado estadual Alencar da Silveira Júnior (PDT). A declaração aconteceu durante uma viagem a Ubá, de carro, na última sexta-feira. “O tempo não estava bom e resolvi não arriscar vir de avião”, conta. O deputado tem uma aeronave e chega a visitar seis cidades por dia. “Minha base é no Sul e Norte. São extremos e não dá para fazer de carro”, afirma Silveira. O deputado federal Marcus Pestana, presidente do PSDB em Minas, soube da morte de Campos quando aterrissava em Caxambu. “Fiquei muito abalado. O fato coloca interrogações a todos nós. Sempre temos muitas viagens e, ao contrário do que se imagina, nossa vida é riscos. Não tenho medo de voar, mas sou cuidadoso”, diz. Antes de desligar, perguntou: “Estou levantando voo para Belo Horizonte, está chovendo aí?”, disse preocupado. O deputado federal Domingos Sávio (PSDB) já fez três pousos de emergência e afirma que também se colocou no lugar da família do ex-governador de Pernambuco. “Não abuso do clima. Já desisti de voar por causa do mau tempo em viagens de monomotor. Não podemos competir com a natureza”, disse Sávio, que visita três cidades por dia quando aluga uma aeronave. Outro colega de Câmara, que pediu anonimato, diz que é comum os candidatos se arriscarem em função de agendas. “As pessoas estão te esperando, não dá para cancelar o compromisso. O preço é alto”, afirmou o parlamentar que viaja com frequência em jato particular. O candidato ao governo de Minas Pimenta da Veiga (PSDB) comentou que o acidente poderia ter ocorrido com qualquer pessoa. “Viajo de avião há décadas e já tive vários problemas, mas consegui superar todos”, disse. Fernando Pimentel, candidato pelo PT, não quis comentar o assunto. Um assessor disse que ele era próximo de Campos. “Sofreu pelo amigo e se colocou na situação por também ter filhos adolescentes e ser de uma idade próxima à dele”. Neste domingo, o mesmo assessor, que preferiu não ter o nome divulgado, viajou com Pimentel pela primeira vez após a tragédia. “Sempre que algo assim acontece ficamos mais receosos, mas a vida não pode ser pautada pelo medo. Sempre temos cuidados e não forçamos nunca um voo arriscado”.

Susto Pane. O deputado estadual Dinis Pinheiro (PP) passou mal depois de um susto durante voo para Ipatinga há alguns anos. O avião sofreu uma pane, não parava de subir e fez um pouso de emergência. 

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