Restrição não melhora trânsito

Mesmo com estacionamento proibido em raio de 3 km, filas de carros se formaram, atrasando torcedores

iG Minas Gerais | Bernardo Miranda |

Congestionamento.Falta de vagas e busca por pontos mais próximos acabam resultando em longas filas de carros na região do Mineirão
Lincon Zarbietti / O Tempo
Congestionamento.Falta de vagas e busca por pontos mais próximos acabam resultando em longas filas de carros na região do Mineirão

A vitória contra o Santos neste domingo, por 3 a 0, não foi capaz de minimizar a insatisfação dos cruzeirenses diante da restrição de estacionamento nos arredores do Mineirão. Com o fim do padrão Fifa, há mais de um mês, a insegurança é a principal companheira de quem vai de carro até o Mineirão e tem que andar cerca de 3 km sujeito a assaltos, flanelinhas, chuva, sol e outros perigos. Além disso, a falta de vagas e as tentativas de encontrar um local mais próximo do estádio acabam fazendo com que quem vai ao estádio chegue atrasado nos jogos e também criando longas filas de carros, jogando por terra a justificativa de que a restrição é uma estratégia para melhorar o trânsito na região.

Com mais de 40 mil torcedores, conseguir uma vaga neste domingo foi tarefa difícil, mesmo nos pontos mais distantes do estádio. Sem poder parar ao longo da avenida Presidente Carlos Luz, os carros que não seguiam para o estacionamento do Mineirão eram obrigados a virar na Alfredo Camarate, criando uma longa fila de veículos em busca de um estacionamento gratuito. Frequentador assíduo do Mineirão, o advogado Hermann Teixeira, 54, contestou a eficácia da restrição de estacionamento. “Há muito tempo venho no Mineirão. Já estive em jogos com cem mil pessoas e com o estacionamento no entorno liberado. Não havia nenhum problema para chegar ou para ir embora”. Mesmo quem tentou usar o estacionamento do estádio, a um custo de R$ 40, teve problemas. Às 14h50, faltando mais de uma hora para o início do jogo, as 2.640 vagas já haviam sido preenchidas. “A fila já estava enorme e quando estávamos chegando na entrada do estacionamento nos informaram que ele estava lotado. Tivemos que dar uma volta enorme para achar um outro estacionamento do lado de fora”, reclamou o corretor de imóveis Ronaldo Dutra, 54. Quem não quis arriscar estacionando longe do estádio, tinha a opção ainda de outros estacionamentos particulares, mas pagando R$ 50. Negociação

O vereador Marcelo Aro (PHS) foi ao jogo e mais uma vez reclamou da restrição. “Os técnicos da BHTrans parecem que não conhecem a realidade do torcedor. Parece que nunca vieram ao estádio. Não faz sentido não poder estacionar nos locais que durante muito tempo foram utilizados pelos torcedores sem problemas. Essa dificuldade acaba tirando o estímulo do torcedor vir ao Mineirão”. Na semana passada, Aro realizou uma audiência pública para discutir o assunto. Tanto a Federação Mineira de Futebol quanto os dirigentes do Cruzeiro se mostraram favoráveis ao fim da restrição de estacionamento no entorno do estádio. A assessoria da BHTrans voltou a justificar que o esquema foi definido junto com o Ministério Público e a dizer que uma comissão da prefeitura vai avaliar o problema.

Vereador quer retirar autonomia da BHTrans em grandes eventos Caso a Empresa de Transportes e Trânsito de Belo Horizonte (BHTrans) insista em manter a proibição do estacionamento no entorno do Mineirão, o vereador Marcelo Aro (PHS) pretende criar um projeto de lei para retirar a autonomia da empresa sobre o tráfego em grandes eventos. “Estamos negociando para que a BHTrans repense sobre a restrição de estacionamento. Porém, já estou preparando uma proposta para que decisões como essa passem pelo crivo de um conselho, talvez com a participação das entidades envolvidas no eventos”, explicou o vereador. Marcelo Aro também informou que já foi procurado por representantes do prefeitura. “O prefeito (Marcio Lacerda) parece estar sensibilizado. Mas se não houver mudanças, continuaremos cobrando”. A assessoria da BHTrans foi procurada, na noite deste domingo, mas nenhum representante atendeu a ligação.

Transporte coletivo

Convencional. Para o jogo deste domingo, a BHTrans destacou oito ônibus para o transporte especial. Os coletivos saíram do centro, e a passagem custava R$ 2,85. Executivo. O torcedor também tem a opção de usar a linha executiva que sai da Savassi e vai ao estádio, com ar-condicionado. O bilhete tem que ser comprado antecipadamente, nos postos da Transfácil. O preço é R$ 15, ida e volta. Move. As linhas do Move também atendem os frequentadores do estádio. Algumas param nas estações da avenida Antônio Carlos. Outras linhas, integradas ao Move (64, 5401 e 5106), vão até a porta do Mineirão.

Justificativa

Vagas. Ao vereador Marcelo Aro, a BHTrans disse que são 340 vagas no entorno do estádio e que o bloqueio garante acessibilidade de pedestres e melhora na mobilidade urbana.

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