Passeando pela praia do pai, mas de olho lá fora Sexto disco solo da cantora, “Tudo” traz parcerias com Seu Jorge e Adriana Calcanhotto Bebel Gilberto

Sexto disco solo da cantora, “Tudo” traz parcerias com Seu Jorge e Adriana Calcanhotto

iG Minas Gerais | LUCAS SIMÕES |

Turnê. Após o lançamento de “Tudo”, Bebel Gilberto inicia turnê pelo Brasil e depois pelos EUA
Daryan Dornelles/Divulgação
Turnê. Após o lançamento de “Tudo”, Bebel Gilberto inicia turnê pelo Brasil e depois pelos EUA

Bebel Gilberto ganhou o mundo depois das parcerias com Cazuza nos anos 1980, como “Mulher Sem Razão” e a mais famosa, “Eu Preciso Dizer Que Te Amo”. De lá para cá, trouxe à tona a tal bossa eletrônica e se tornou queridinha nos circuitos de Nova York. Apesar da forte ligação com o exterior, a cantora norte-americana criada no Brasil traz agora o puro universo de mar, sol e céu azul do Rio de Janeiro em “Tudo” (Sony Music), sexto disco da carreira solo, previsto para chegar às lojas nesta segunda quinzena de agosto.

Com produção de Mario Caldado Jr., que trabalhou com Beastie Boys e Björk, “Tudo” teve a gravação dividida entre Rio, NY e Los Angeles. Apesar de fazer referência o tempo todo a um universo solar de praia e alegria brasileira, Bebel Gilberto flutua por três idiomas nas 12 canções do disco – inglês, português e francês. Aliada a isso, a cantora acertou em ter trabalhado os últimos cinco anos em melodias e harmonias originais e detalhistas, trazendo à tona ora uma paz intimista sem ser piegas, ora uma alegria contida na batida tradicional do violão de seu pai, João Gilberto.

Mesmo que não se posicione como compositora de referência, o maior mérito de Bebel no disco são as parcerias com bons letristas. De cara, a cantora assina a faixa-título, “Tudo”, ao lado de Adriana Calcanhotto – em um encontro inédito, que rendeu um bossa moderna de piano, violão e percussão instigante. (“Como para ter o dia inteiro / Travesseiro de penar / Para não lembrar / Para esquecer / Tudo”).

O cantor Seu Jorge também faz coro em “Novas Ideias”, um samba-canção em que ele é coautor ao lado de Bebel e fala sobre o próprio processo libertário de composição. “De onde vem ninguém sabe / A luz da imaginação / A quem pertence / A quem cabe essas ideias”). Outra boa surpresa do álbum fica por conta do violonista Cesar Mendes, que trabalhou com Caetano Veloso e Marisa Monte, e participa de “Tom de Voz”, uma bossa com sintetizadores calmos. Fechando os duetos, Pedro Baby, filho do guitarrista Pepeu Gomes e da cantora Baby do Brasil, que assume o violão em uma das melodias mais bonitas de “Tudo”.

O disco ainda traz duas regravações, sendo uma do maestro Tom Jobim em “Vivo Sonhando”, que mantém o padrão banquinho e violão sem inventar moda. A mais certeira das versões fica por conta de “Harvest Moon”, da lenda canadense do folk Neil Young, que ganhou uma versão em bossa nova praticamente sussurrada por Bebel Gilberto.

Diferente do último disco da cantora, “All In One” (2009, Verve Records), e também do recente DVD “Bebel Gilberto In Rio” (2013, Biscoito Fino), que não chegaram em peso ao mercado internacional, “Tudo” pode ser a grande e nova moeda de exportação de Bebel Gilberto desde o aclamado disco de estreia, “Tanto Tempo” (2000, Ziriguiboom).

Divulgação

Disco. A Sony Music vai dar atenção especial à divulgação internacional do álbum “Tudo”, após o lançamento do disco neste mês, levando em conta que o trabalho chega primeiro às lojas dos EUA e, posteriormente, ao Brasil.

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