Para refletir sobre o presente

Márcia Tiburi lança nesta segunda em BH o livro “Filosofia Prática – Ética, Vida Cotidiana, Vida Virtual”, no Sempre Um Papo

iG Minas Gerais | Carlos Andrei Siquara |

Márcia Tiburi defende a revisão do que significa coletividade hoje
Tomas Arthuzzi
Márcia Tiburi defende a revisão do que significa coletividade hoje

Em seu novo livro “Filosofia Prática – Ética, Vida Cotidiana, Vida Virtual”, Márcia Tiburi diz ter evitado fazer um trabalho que se voltasse apenas à história da filosofia. O título que lança aqui nesta segunda, no evento Sempre Um Papo, realizado na sala Juvenal Dias do Palácio das Artes, pretende, portanto, conduzir uma leitura mais afinada com o presente.

“O foco do livro não é apresentar um diálogo apenas com os pensadores filósofos. Eu estabeleço também conversas com a literatura, especialmente para tratar de algumas ideias, como o conceito de cotidiano”, explica Márcia Tiburi. De acordo com ela, ao sublinhar no título a expressão “filosofia prática” é para provocar a visão recorrente que destaca apenas a qualidade abstrata desse campo de conhecimento, como se não houvesse possibilidades de interação com a vida em sociedade.

“Eu queria mostrar às pessoas que a filosofia não é só essa coisa difícil, teórica e abstrata que dizem. Nesta segunda em dia, essa área tem estado cada vez mais presente nas escolas, desde a entrada do estudo dela no ensino médio, e ocupa agora mais espaços midiáticos do que antes, seja por meio de visões ora mais críticas, ora mais conservadoras. Minha intenção é defender que a filosofia é uma experiência de pensamento que dá conta de situações muito próximas da realidade de cada um, embora isso seja pouco difundido”, diz.

Tendo a noção de ética como um dos principais pontos de partida para as discussões travadas ali, a autora propõe reflexões que evidenciam a relação do termo com atitudes práticas. “Eu contextualizo o uso dessa palavra, de onde ela vem, como ela é elaborada, para que os leitores entendam melhor que expressão é essa que se usa muito no dia a dia e está bastante presente nos atos de fala”, pontua.

Divididos em torno de três principais perguntas – Como me torno quem sou?; O que estamos fazendo uns com os outros?; Como viver junto? –, os capítulos articulam teoria e prática para dar conta da complexidade do cenário contemporâneo.

“No livro eu trato de questões que as pessoas não estão buscando entender, porque vivenciamos uma época marcada pelo vazio de pensamento. Como as coisas estão conectadas, se notamos essa condição é fácil concluir que há também um vazio da ação e de emoções. É sobre um pouco disso tudo que discuto”, completa Tiburi.

Com um texto fluido e acessível, a autora versa a partir da primeira indagação sobre a formação das subjetividades, para em seguida abordar a relação com o outro e, por fim, rever o que se entende no presente sobre a convivência social e coletiva.

“Nós perdemos a noção de sociedade e parece que não estamos nos ocupando com a tarefa de pensar a essa ideia de sociedade que está dada. As pessoas não percebem que algumas coisas naturalizadas, como a própria experiência do cotidiano são forjadas. Nesse cenário, é necessário refletir sobre a ética e repensar sobre as nossas políticas que nos afetam no nosso dia a dia. Por isso, é importante perceber que tratar de ética é sempre lidar com uma força que é produtiva”, afirma.

Agenda

O quê. Sempre Um Papo com Márcia Tiburi

Quando. Nesta segunda, às 19h30

Onde. Sala Juvenal Dias do Palácio das Artes (av. Afonso Pena, 1537, centro)

Quanto. Entrada franca

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave