Há quarenta anos bailando

Espetáculo musical traz o que há de melhor na produção do gênero argentino mais conhecido em todo o mundo

iG Minas Gerais | gustavo rocha |

Expectativa.Segundo Manoel Poladian, público de BH costuma lotar sessões do espetáculo e são muitas as pessoas que voltam para rever
POLADIAN PRODUÇÕES/DIVULGAÇÃ
Expectativa.Segundo Manoel Poladian, público de BH costuma lotar sessões do espetáculo e são muitas as pessoas que voltam para rever

O ano era 1974, e o roqueiro – segundo ele próprio – e produtor Manoel Poladian foi designado para verificar o que havia de melhor no tango da capital argentina, Buenos Aires, e montar um espetáculo que representasse a riqueza de uma das marcas da cultura portenha. Assim, nasceu “Uma Noite em Buenos Aires”, um dos espetáculos musicais mais longevos – se não o mais – do país. “Eu literalmente passei uma noite em Buenos Aires vendo o que tinha de melhor na produção de tango da cidade. Circulei por todas as casas de shows. Eu conhecia pouco do gênero e, para ser honesto, nem gostava muito. Eu gostava de rock, fui produtor da Rita Lee por 35 anos”, relembra Poladian. O show é atração no Grande Teatro do Palácio das Artes, Nesta segunda e terça.

Em cena, o público confere o que há de melhor do tango produzido em Buenos Aires. “Nós vamos selecionando os artistas de tempos em tempos”, revela o produtor e também diretor do show, Poladian. Atualmente, o diretor musical é o maestro Carlos Buono, vencedor do prêmio Sadaic/Bandoneon de Ouro. E conta com a participação do cantor Alberto Bianco, do cantor e violonista Leo Carabajal e de Monica Sacchi, considerada a melhor cantora de tango da atualidade. O bailado estará a cargo do Ballet de Johana Copes e dos atuais campeões mundiais de tango, Guido Palacios e Florencia Castilla.

Ao longo de 40 anos de trajetória, “Uma Noite em Buenos Aires” já foi apresentado mais de 30 mil vezes em diversas partes do mundo, mas não na cidade que lhe empresta o nome. “Só nos apresentamos no exterior”, explica o produtor.

Ao fazer uma linha do tempo dos idos dos anos 70 até hoje, o produtor revela que algumas canções clássicas do tango argentino são obrigatórias – como “Mi Buenos Aires Querido”, de Carlos Gardel –, independente do que possa vir a aparecer na produção atual da música feita na Argentina. Ainda assim, ele segue “antenado” com aquilo que se destaca em Buenos Aires. “Eu vou à cidade três vezes por ano. Criei uma relação muito íntima com o que se produz lá e as pessoas sabem que eu sempre busco gente nova para o espetáculo”, ressalta Poladian. “Eu posso impor algumas vontades minhas e a principal é que seja um espetáculo para cima, alegre, revelando coisas boas. De coisas ruins, já basta a vida”, filosofa.

Não será a primeira vez que o espetáculo vem a Belo Horizonte. Poladian percebe características peculiares ao público da cidade. “É muito exigente e gosta dos clássicos! Não dá muita bola para as novidades”, se diverte. “E, além disso, 30%, 40% das pessoas voltam para assistir ao espetáculo mais de uma vez”, pontua.

Universal. Algumas especificidades da cultura superam suas fronteiras e se transformam em universal. Assim é o tango argentino, que diz respeito à cultura portenha, mas foi assimilada e pode ser vista por várias partes do mundo. Após 40 anos dedicados à potência máxima da música argentina, o produtor Poladian, um “velhinho” – como ele se define –, ainda planeja fazer um espetáculo sobre a bossa nova, que para ele é tão universal quanto o tango. “É um tipo de produção que necessita de artistas muito disciplinados e dispostos a se dedicar a isso. Do Rio de Janeiro a Tóquio, as pessoas reconhecem as canções e acordes da bossa nova”, garante.

Em 1961, com 17 anos e estudante de direito, Poladian foi responsável pela produção do primeiro show de bossa nova realizado, no ginásio do Mackenzie, em São Paulo, com participação de João Gilberto e Baden Powell, dentre outros músicos.

Agenda

O quê. “Uma Noite em Buenos Aires”

Quando. Nesta segunda e terça, às 21h

Onde. Grande Teatro Palácio das Artes (av. Afonso Pena, 1.537, centro)

Quanto. Entre R$ 180 e R$ 220 (inteira)

Convidado

O espetáculo conta com a participação especial de Atilio Stampone, pianista de 84 anos de idade, que tocou com Astor Piazolla, simplesmente o melhor tocador de bandoneón de todos os tempos.

Piazolla é considerado o compositor de tango mais importante da segunda metade do século XX.

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