A rua como espaço para a dança ganhar público

Para Raquel, afinal, não basta “dançar gratuitamente, é importante perguntar qual o potencial de o artista ir para a rua”

iG Minas Gerais | Luciana Romagnoll |



Movasse faz ‘Se7 Aberto’ amanhã, às 18h20, na praça da Liberdade
FelipeMessiasFotografia
Movasse faz ‘Se7 Aberto’ amanhã, às 18h20, na praça da Liberdade

O 5º Horizontes Urbanos, que ocupa as ruas da capital mineira desta segunda a 21 de agosto, faz parte da rede internacional Ciudades que Danzan, composta por festivais da Europa e América que têm a rua como mote.  

Fernando Lima, diretor do solo “Camino Vertical/Horizontal”, do grupo espanhol El Punto Danza Teatro, conta que “até pouco tempo atrás não existia na Espanha nenhum espetáculo de rua”, a não ser adaptados dos palcos. “Em Sevilla, uma cidade com muitos monumentos, só, agora, virou cultura fazer espetáculo nesses lugares”, diz.

Para ele, se a dança contemporânea – “tirando o Grupo Corpo” – tem pouco público no Brasil, a transição para a rua e a absorção de outros estilos é o que pode reconectá-la à população. “Poder juntar do hip hop ao clássico e danças folclóricas é uma forma de aproximar o público”, diz.

Essa é a mistura presente no trabalho do bailarino espanhol Daniel Gómez, de 20 anos, a estrela do solo. Com formação em street dance e balé, ele incorpora esses conhecimentos à contemporânea, executando “uma dança mais agressiva, arriscada”, segundo o diretor.

Essa contaminação da dança contemporânea pela de rua tem sido uma via de mão dupla, segundo a curadora do Horizontes Urbanos, Jacqueline de Castro. “A dança de rua está trazendo um vigor físico que a contemporânea tinha perdido”, comenta.

Na programação da mostra, o momento em que essa aproximação deverá ficar mais evidente será na festa de encerramento, nesta quinta (21), no Mercado das Borboletas, onde vai acontecer a “Batalha Show de Gêneros”. “Vamos chamar 24 artistas, um pessoal que vem da dança de rua”, comenta a curadora.

Cortejo. A mostra reserva ainda, entre as atrações, o cortejo “Paisagens Insolúveis para a Cidade”, com Alex Dias, Fernanda Coffers, Gabriela Christofaro, Marise Dinis, Sérgio Penna e Raquel Pires. Na quarta, o coletivo parte da rodoviária, às 16h30. Na quinta, sai às 14h da Savassi.

O trabalho, criado para esta edição do evento, repete o formato do grupo que se reuniu em 2011 e apresentou “Con-templo”, já com a ideia de percurso. “A gente quis retomar os elementos com mais profundidade”, conta Raquel. Para tanto, os bailarinos fizeram-se perguntas norteadoras: por que, como e para que dançar na rua?

Para Raquel, afinal, não basta “dançar gratuitamente, é importante perguntar qual o potencial de o artista ir para a rua”. “Imagens foram sendo construídas e falam um pouco do nosso sentimento de estar no espaço urbano”, diz a artista.

No cortejo, a intenção não é interagir diretamente com os transeuntes, mas criar uma “instalação de corpos em movimento”. “As pessoas estão passando e alguma coisa vai acontecer ao verem. Pode ser um estranhamento, gargalhada, vontade de estar ali com a gente, irritação”, cogita Raquel.

As “Paisagens Insolúveis...” também têm a ambição de deslocar o olhar do transeunte que passa pelo espaço urbano de forma “automática”. “A gente quis trazer uma oposição ao que já acontece na rua, ao excesso de estímulos, para as coisas serem percebidas de outro jeito. Não vamos nos mesclar com roupas cotidianas. Estamos pesquisando outro jeito de estar no espaço urbano”, diz.

Agenda

O quê. Mostra Horizontes Urbanos

Quando. Desta segunda a 21 de agosto

Onde. Veja programação completa em www.horizontesurbanos.com

Quanto. R$ 10

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