Enterro de Eduardo Campos reúne multidão de 160 mil

Mulher e filhos do ex-governador se emocionaram no sepultamento, que teve queima de fogos

iG Minas Gerais |

Despedida. Depois de 14 horas ininterruptas de cerimônias, corpo de Eduardo Campos foi enterrado ontem, no início da noite, com homenagens da mulher e dos filhos
Márcio FERNANDES/ESTADÃO CONTEúDO
Despedida. Depois de 14 horas ininterruptas de cerimônias, corpo de Eduardo Campos foi enterrado ontem, no início da noite, com homenagens da mulher e dos filhos

Recife. Os restos mortais de Eduardo Campos, ex-governador de Pernambuco e candidato à Presidência da República, morto na última quarta-feira, 13, em um acidente aéreo em Santos, no litoral paulista, foram sepultados no início da noite deste domingo no Cemitério de Santo Amaro, em Recife. A cerimônia foi realizada sob aplausos da multidão, palavras de ordem dos presentes e uma queima de fogos que durou 19 minutos.

A viúva Renata e quatro filhos, que acompanharam o caixão desde a chegada na Base Aérea do Recife, na madrugada deste domingo, estavam ao lado do jazigo na hora do adeus. Antônio Campos, irmão, Magdalena Arraes, avó, e Ana Arraes, mãe, também estavam presentes, assim como Marina Silva, que deve ser escolhida para substituir o político socialista na chapa do PSB ao Planalto. Foram os filhos de Campos que capitanearam muitas das manifestações em homenagem ao pai. O mais velho deles, João, puxava gritos de guerra como “Eduardo, guerreiro do povo brasileiro”. Eles usavam um chapéu de palha, marca registrada do governo do bisavô, Miguel Arraes. Uma multidão acompanhou a cerimônia dentro e fora do cemitério, que foi obrigado a cerrar as portas para evitar a superlotação. Segundo a Polícia Militar, cerca de 160 mil pessoas ocuparam a região central de Recife para se despedir do ex-governador. O público foi maior do que o que compareceu ao enterro de Miguel Arraes, há nove anos. Uma fila com cerca de 3 km, que bloqueava mais de cinco quarteirões, foi organizada para os que quiseram se aproximar do caixão. Por volta das 18h, o corpo do ex-governador deixou o Palácio do Campo das Princesas em direção ao cemitério. Os corpos do assessor de imprensa de Eduardo Campos, Carlos Percol, do cinegrafista Marcelo Lyra, do piloto Marcos Martins, do copiloto Geraldo Magela Barbosa da Cunha e do ex-deputado Pedro Almeida Valadares Neto também foram sepultados neste domingo. Emoção. Após impressionar amigos e familiares com a postura serena com qual vinha encarando a morte do marido, Renata Campos se rendeu neste domingo à emoção. Ela chorou copiosamente, ao lado dos filhos durante a missa campal. Renata se emocionou bastante quando um coral entoou músicas como Virgem Lacrimosa e Sanctus. A viúva de Campos e Marina Silva permaneceram juntas durante toda a celebração.

Saiba mais Serenidade. Sandra Assali, que preside entidade de parentes de vítimas e perdeu o marido no acidente da TAM, em 1996, esteve com Renata Campos e os filhos do casal. “É incrível ver a força dela. Nunca vi uma família forte assim”. Aviões. Políticos de várias partes do país lotaram o palco das autoridades durante o velório do presidenciável Eduardo Campos. Ao aeroporto do Recife, chegaram 63 aviões com convidados para o velório e o enterro.

Parentes de copiloto em silêncio O corpo do copiloto do avião Cessna Geraldo Magela Barbosa da Cunha foi enterrado neste domingo, em Governador Valadares, cidade natal dele, no Vale do Rio Doce. A cerimônia foi acompanhada por amigos e familiares de Geraldo. Grávida de sete meses, a mulher do copiloto, Josliene da Cunha, e o filho do casal, de 4 anos, não tiveram condições de viajar para Valadares e ficaram com parentes em Belo Horizonte. Os familiares não quiseram falar com a imprensa. No enterro, a mãe de Geraldo, Odete Barbosa da Cunha, agradeceu às pessoas que “deram forças” à família. Cunha era piloto há mais de 20 anos e não havia se envolvido em nenhum acidente antes do ocorrido na semana passada.

Dilma e Lula vaiados no velório Crítico do governo do PT, o senador Jarbas Vasconcelos disse que as vaias que a presidente Dilma Rousseff recebeu neste domingo, ao chegar ao velório do ex-governador Eduardo Campos acompanhada do ex-presidente Lula, no Recife, são “justificáveis” porque o comparecimento dela é “falso”. “Ela não tinha nada que vir aqui”, afirmou. Logo após as vaias, vieram aplausos do palco onde estavam as autoridades, e o público acompanhou. Principal adversário de Dilma, o tucano Aécio Neves condenou as vaias. “Nessa hora, nenhuma hostilidade se justifica. Acredito que a presidente veio prestar solidariedade a um amigo”, comentou. Ao se encontrarem no velório, Dilma e Aécio se cumprimentam com um beijo.

Medalhas de ouro são recuperadas Neste domingo pela manhã, no velório, a família de Eduardo Campos recebeu das mãos do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, cinco das várias medalhinhas de ouro que ficavam em uma corrente que Campos usava. A informação ainda não oficial é que as medalhas ficarão com cada um dos cinco filhos de Campos. A família tentava achar os objetos pelo grande valor sentimental. A descoberta foi feita por um pedreiro identificado apenas como Alex, que trabalhava na limpeza do local onde ocorreu o acidente que matou o político e outras seis pessoas na última quarta-feira, em Santos (SP). O pedreiro entregou as medalhas à Defesa Civil, que os encaminhou à Prefeitura de Santos e depois ao governador.

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