São Paulo marca no fim e amplia crise no Palmeiras

O gol da vitória foi marcado curiosamente pelo atacante Alen Kardec, que gerou polêmica quando trocou o Alviverde pelo Tricolor

iG Minas Gerais | AGÊNCIA ESTADO |

Kardec deu a vitória ao São Paulo em cima do seu ex-time aos 43 minutos do segundo tempo
SÃO PAULO/DIVULGAÇÃO
Kardec deu a vitória ao São Paulo em cima do seu ex-time aos 43 minutos do segundo tempo

No aguardado duelo entre Palmeiras e São Paulo, o atacante Alan Kardec, motivo de atrito recente entre os dois clubes, decidiu o clássico deste domingo, no Pacaembu. De cabeça, ele marcou o gol da vitória dos são-paulinos, por 2 a 1, aos 43 minutos do segundo tempo. Pato e Henrique, de pênalti, marcaram os outros gols da partida, válida pela 15ª rodada do Brasileirão.

O triunfo do São Paulo amplia a crise vivida pelo Palmeiras no campeonato. O time do ameaçado Ricardo Gareca chegou à nona partida sem vitória na competição. O técnico argentino parece, pelo menos por enquanto, salvo da demissão. Antes do clássico, o presidente Paulo Nobre afirmara que não cogitava a possibilidade de trocar de treinador.

Para piorar, o Palmeiras tem chances de terminar a rodada na zona de rebaixamento do Brasileirão. Com apenas 14 pontos, ocupa neste momento o 16º lugar, primeira posição logo acima da zona da degola.

O São Paulo, por sua vez, recupera-se da criticada eliminação na Copa do Brasil, no meio de semana, diante do Bragantino. A vitória no clássico deve dar mais paz ao técnico Muricy Ramalho, cuja demissão foi alvo de especulação nos últimos dias.

A partida deste domingo contou com o retorno de Valdivia, que voltou a vestir a camisa do Palmeiras após três meses. Ele, contudo, esteve apenas 14 minutos em campo. Apontou dores musculares na coxa direita e disse ter sofrido com tonturas durante a partida. Acabou sendo substituído no primeiro tempo e ainda não sabe se terá condições de jogar na quarta-feira, na rodada do meio de semana.

O JOGO - O primeiro tempo do clássico pode ser dividido entre "antes e depois" de Valdivia. Com o meia em campo, o Palmeiras controlou facilmente a partida, mostrou maior volume no meio-campo e atacava com perigo, principalmente pela esquerda, em rápidas jogadas coordenadas pelo chileno na companhia do lateral Victor Luis e do atacante Henrique.

Logo aos 3, Valdivia invadiu a área na linha de fundo e pediu pênalti por conta de um toque de mão na bola de Toloi. O árbitro inverteu a marcação e ignorou a reclamação do palmeirense. No minuto seguinte, o meia acionou Henrique, que pegou mal dentro da área e facilitou a defesa de Rogério Ceni.

Valdivia também ameaçava na bola parada. Aos 8, bateu falta com perigo. Na sequência, disparava pela direita quando Souza acertou uma cotovelada quase no seu rosto. Caiu no gramado reclamando de dores. A torcida palmeirense levou um susto, por causa do histórico de lesões do jogador. E já respirava aliviada quando, aos 13, o chileno caiu novamente, desta vez levando a mão à coxa direita.

Com fortes dores e reclamando de tontura, o meia saiu de maca e não conseguiu voltar ao jogo. Foi então que o São Paulo aproveitou a ausência do principal jogador do rival para crescer em campo. A partir da provisória vantagem numérica em campo, o time de Muricy acalmou o jogo e passou a tocar a bola no ataque em busca de brechas na defesa palmeirense.

Mas a queda moral e de rendimento do Palmeiras - Allione não deu conta de movimentar o ataque - foi mal aproveitada pelo visitante. Ganso estava apagado e Kaká e Pato corriam muito, sem resultado. O time dominava a posse de bola, mas não finalizava. Tampouco arriscava jogadas mais elaboradas.

O murcho fim de primeiro tempo foi seguido de uma segunda etapa movimentada. O Palmeiras partiu para o ataque e quase surpreendeu a defesa são-paulina nos instantes iniciais. E O jogo ganhou em velocidade e lances mais ríspidos, além de vacilos.

Aos 8, o goleiro Fábio saiu mal do gol e entregou a bola nos pés de Ganso, que acionou Pato. Cara a cara com o goleiro dentro da área, o atacante não desperdiçou e colocou o São Paulo em vantagem no placar do clássico.

O gol deixou a partida ainda mais movimentada, com o Palmeiras saindo em desespero para o ataque. Logo a velocidade ofuscou a nível técnico duvidoso do confronto. Antes do empate, porém, o time mandante levou mais sustos na defesa. Kaká, aos 10, e Alan Kardec, aos 11, tentaram jogadas individuais e quase ampliaram para o São Paulo.

A igualdade veio aos 15 minutos, em cobrança de pênalti. Felipe Menezes finalizara de fora da área e a bola acertou a mão de Edson Silva. Na cobrança, Henrique bateu de canhota no canto direito de Rogério Ceni, parado no centro do gol, e empatou.

O empate manteve a postura acelerada do Palmeiras, principalmente depois da entrada de Cristaldo, enquanto o São Paulo tentava cadenciar o ritmo. O argentino, em sua estreia, deu trabalho à defesa são-paulina por atuar nos dois lados do ataque.

Mesmo com menor presença no ataque, o São Paulo arrancou a vitória nos minutos finais do clássico. Aos 43 minutos, Alvaro Pereira cruzou na área e Alan Kardec escorou de cabeça. A bola acertou o pé da trave, rebateu nas costas do goleiro Fábio e morreu nas redes.

Os dois times voltam a campo na quarta-feira. O São Paulo vai duelar com o Internacional no Beira-Rio, enquanto o Palmeiras enfrentará o Sport, em Recife.

FICHA TÉCNICA:

PALMEIRAS 1 x 2 SÃO PAULO

PALMEIRAS - Fábio; Wendel, Lúcio, Tobio, Victor Luis; Renato, Marcelo Oliveira, Allione, Valdivia (Felipe Menezes, Leandro); Mouche (Cristaldo) e Henrique. Técnico: Ricardo Gareca.

SÃO PAULO - Rogério Ceni; Paulo Miranda, Toloi, Edson Silva, Alvaro Pereira; Denilson, Souza, Paulo Henrique Ganso (Hudson), Kaká; Alan Kardec e Pato (Ademilson). Técnico: Muricy Ramalho.

GOLS - Pato, aos 8, Henrique (pênalti), aos 15, e Alan Kardec, aos 43 minutos do segundo tempo.

CARTÕES AMARELOS - Souza, Tobio, Edson Silva, Lúcio, Toloi, Alvaro Pereira.

ÁRBITRO - Péricles Bassols Pegado Cortez (Fifa/RJ).

RENDA - R$ 822.657,00.

PÚBLICO - 20.267 pagantes (21.643 no total).

LOCAL - Estádio do Pacaembu, em São Paulo (SP).

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