Essa tal consciência...

iG Minas Gerais |

Quem mandou ter valores, temer a Deus, ter sido criado por mãe socialista (na época que havia idealismo, comprometimento e não black bloc), ter tido um pai que era um filósofo do direito e morreu remediado, classe média média, pois defendia que “o exercício do direito equivale a chafurdar no lodaçal da miséria humana, sem se sujar”? Ainda bem que não viveu para assistir ao teatro do julgamento do mensalão, onde os mais caros advogados criminalistas tiravam a venda do símbolo da Justiça ao mentir, omitir, teatralizar, assassinar a verdade. Ministros parciais e sem escrúpulos se digladiavam numa deprimente amostra do que se transformou um Poder, antes imaculado. Quem mandou ser tão ingênuo (característica de criança defeito em adulto) e acreditar que ao abandonar uma bem-sucedida carreira de psiquiatra particular para me dedicar a projetos em saúde e educação pública, cultura e meio ambiente, que beneficia os mais carentes, teria que lutar junto a políticos (prefeitos, secretários estaduais, governo federal) uma entrada para implantação de tais ações? Bobo, babaca, visionário, ET, aceito qualquer adjetivo. Afinal, quando conseguia quase chegar lá vinham as propostas indecorosas, milhões oferecidos para colocar os projetos, desde que molhasse a mão das autoridades. Entendi que entre políticos e empresários que fornecem serviço a órgãos públicos primeiro tem que assassinar a consciência. Corrupção é a regra, não a exceção! Que não há nem mais constrangimento ao pedir percentuais sobre tudo. Não interessa se roubar a saúde significa cometer genocídio dos mais carentes. Desviar verba de merenda escolar já não nauseia os líderes políticos e empresariais. Tudo é normal e bobos os que falam em lisura, correção, caráter. Idiotas os que querem vencer pela competência, que se submetem aos chefes, superiores que, indicados por vias políticas ou por puxa-saquismo da pior qualidade, estão a serviço de partidos políticos de toda matiz – esquerda, direita, centro –, afinal, o que vale é se dar bem! Mas vem a tal consciência, essa severa e bendita companheira e nos faz a graça de trazer à realidade questões morais, éticas religiosas e culturais . Ter a certeza que há uma vida eterna, onde colheremos o que aqui plantarmos. E daí a constatação que vale a pena buscar o caminho da competência, mesmo sendo longo, cheio de armadilhas, de pedras e de espinhos. E lembrar do ditado índio: “Consciência é como uma pedra de três pontas. Se agimos mal, a pedra rola e provoca dor. Mas se continuarmos a agir mal, a pedra esmerila e já não há mais dor”. Que a minha continue a doer se mal agir e permita que eu nunca perca meus valores. Vivemos num mundo de aparência, ostentação, consumismo, onde aparentemente é muito mais fácil e “até normal” ser tentado a se dar bem, vender a alma para o diabo e, biblicamente, “entrar pela porta larga – que é a perdição”. Confesso que os ricos que conheci e que venderam a alma para o diabo jamais foram felizes. Daí, talvez, porque afundam no sexo, nas drogas e nos exageros. “Pois doce é o sono do trabalhador, tenha eles pouco ou muito para comer. Já a abundância dos ricos o impedem de dormir.” Eclesiastes 5.1. Não se enganem, estamos prestes a viver uma das maiores viradas da história. E neste tempo, a pior pobreza será a de espírito, pois para ela não há salvação.

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