Um jeito moderno e nômade de ser. E de ganhar dinheiro

Tecnologia permite ter profissão sem endereço, ganhando a vida com um toque de aventura

iG Minas Gerais | Natália Oliveira e Anderson Rocha |

Pelo país afora. Mih e DM Garbosa abandonaram a vida de vendedores e montaram uma agência de marketing digital
Arquivo pessoal/Divulgação
Pelo país afora. Mih e DM Garbosa abandonaram a vida de vendedores e montaram uma agência de marketing digital

“Para viajar, basta existir”. A frase do escritor Fernando Pessoa retrata toda a simplicidade de fazer as malas e sair para explorar novos lugares e novas culturas. No entanto, para a maioria das pessoas, essa simplicidade é uma realidade quase rara. A menos que você tenha nascido em berço de ouro, trabalhar é preciso. Por isso, mesmo com muita gente acreditando que conciliar os dois é algo impossível, a tecnologia está aí pra provar que não.

Com a evolução da internet e das novas tecnologias móveis, o sonho de aliar trabalho com viagens se torna cada vez mais uma realidade próxima. Para quem consegue trabalhar em casa, o lar pode ser qualquer lugar do mundo. E é esse estilo de vida que muita gente anda adotando. O lendário diretor executivo da Apple, Steve Jobs, já dizia que “a única maneira de fazer um ótimo trabalho é fazendo o que você ama fazer”. Foi esse pensamento que motivou o casal Jaque Barbosa e Eme Viegas, moradores de São Paulo, a conciliar trabalho e viagens. Eles são o exemplo mais atual e marcante dessa realidade. A dupla é responsável pela criação dos sites Nômades Digitais, Hypness e Casal Sem Vergonha, que fazem enorme sucesso na internet e nas redes sociais, principalmente o Facebook. As três páginas reúnem juntas 7,5 milhões de visitantes por mês. Em um dos sites, o casal conta que, quando tinha emprego convencional, seu momento de felicidade estava nos fins de semana e feriados, quando os dois tinham folga e podiam viajar. Por entender que a vida é muito curta para ser feliz apenas nos intervalos, eles agora tentam manter um nível constante de felicidade aliando viagem e trabalho. Eles contam, nos sites, um pouco de sua história e o que vivem nas viagens, dão dicas e mostram lugares para se conhecer, se hospedar e o investimento para a empreitada. Antes, Jaque e Viegas tinham empregos que eles até gostavam. Ela era professora de inglês, e ele, publicitário de uma grande agência da capital paulista. Os dois resolveram trocar uma das metrópoles mais agitadas do país por uma vida sem endereço em diversos lugares pelo mundo, geralmente em locais mais tranquilos e próximos da natureza. A aliança viagem e trabalho é cada vez mais possível com a evolução das tecnologias. Para vários tipos de emprego, basta ter um computador e internet para fazer o trabalho. Nem mesmo para reuniões é preciso estar no mesmo espaço físico. É assim que o casal de Curitiba D.M. Garbosa e Mih Garbosa, os dois com 25 anos, levam a vida atualmente. Eles eram vendedores de lojas e, insatisfeitos, resolveram dar uma reviravolta. Largaram os empregos em 2010 e montaram uma agência de marketing digital e um site. “A priori nossos familiares não acreditaram que pudesse dar certo, afinal, não tínhamos formação na área de marketing e nem publicidade. Até hoje nossos parentes mais velhos ainda não sabem o que uma agência de marketing digital faz. De vez em quando, sugerem que façamos algo mais seguro, como passar em um concurso. Mal sabem que esta seria a última coisa que faríamos”, conta DM Garbosa. No Brasil. O roteiro do casal é traçado sempre nacionalmente, já que eles acham mais interessante conhecer o país que moram do que viajar para outros lugares do mundo. Os dois já passaram por Florianópolis, Maceió, Brasília, São Paulo e Rio de Janeiro. O plano para o próximo ano é conhecer o Ceará. “Quando estávamos em Maceió, decidimos que iríamos conhecer o maior número de praias que pudéssemos. Resolvemos então andar, simplesmente andar pela areia e desbravar. No primeiro dia andamos algo em torno de 8 km pela areia, não sei se recomendo fazer isto, é muito cansativo. No segundo dia, andamos um pouco menos, mas encontramos praias maravilhosas”.

Argentino viaja, mas trabalho só à moda antiga O argentino Santiago Malávez, 32, viaja pelo mundo com sua arte, mas sem computador. “Eu reconheço que as novas tecnologias possibilitam um número maior de pessoas a viajar, mas eu sou nômade à moda antiga mesmo. Eu viajo apenas vendendo o artesanato que faço. Desde que resolvi mudar de vida, há dez anos, largar o emprego fixo e sair pelo mundo, eu já viajei a 15 países da América do Sul, por várias cidades e me tornei uma pessoa muito mais feliz. Aliar trabalho com viagens me fez sentir mais completo”, contou o artesão, que há seis meses adotou Belo Horizonte como sua terra.

Egito: um relato

Gabi Assis, cientista política, faz parte do conceito de nômade digital. Mora atualmente na Bélgica, se tornou escritora e esteve recentemente no Egito. Em relato publicado no site www.nomadesdigitais.com.br, ela conta o que descobriu sobre o Egito durante o tempo que passou no país e garante: por lá há muito mais do que pirâmides. “Os egípcios possuem um humor que se assemelha muito ao do brasileiro, eles entendem e riem das nossas piadas, ou seja, não precisamos passar por aquele silêncio constrangedor do ‘eu não achei graça’, como acontece com outras nacionalidades.”

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