Cidades pequenas se tornam caminho para uma vida melhor

Moradores da capital se mudam para a região metropolitana em busca de tranquilidade

iG Minas Gerais | Natália Oliveira |

Bucólico. Em busca do clima de interior, o casal Glauco Gonçalves Dias e Paula Miranda comprou e reformou uma casa antiga em Raposos
Alex de Jesus
Bucólico. Em busca do clima de interior, o casal Glauco Gonçalves Dias e Paula Miranda comprou e reformou uma casa antiga em Raposos

Janelas e portas de casa abertas, pássaros cantando, um vizinho amigo que acolhe seu cachorro fujão, ruas tranquilas e um verdadeiro espírito de comunidade. Se por muito tempo a migração mais comum era do campo para a cidade, atualmente a procura por essa qualidade de vida tem feito cada vez mais pessoas escolherem o caminho inverso. Cansados do trânsito conturbado e do estresse diário da vida em uma metrópole, muita gente está deixando Belo Horizonte em busca de moradia em cidades mais tranquilas.

Um dos facilitadores da mudança é o fato de a região metropolitana ainda estar cheia de cidades que, mesmo próximas, mantêm o clima de interior. Na capital, os prédios cada vez maiores e os carros em engarrafamentos eram o que mais incomodava a professora de ioga Paula Miranda, 27, e o engenheiro civil Glauco Gonçalves Dias, 32, que são casados. Há cerca de um ano, eles decidiram fazer as malas rumo a Raposos, na região metropolitana. O casal tinha o desejo de morar em um lugar onde houvesse convivência social e onde as pessoas realmente tivessem laços, se conhecessem e se cumprimentassem.</CW> Dias comprou um imóvel que era de seu avô e, mesmo com a reforma, resolveu manter as características originais da casa. “Eu costumo dizer que eu não moro em Raposos, mas vivo na cidade, porque é isso que encontro aqui. Uma vitalidade comunitária”, relata Dias. Em BH, ele morava no bairro Padre Eustáquio, na região Noroeste, e conta que mal conhecia os vizinhos. “Em Raposos, se meu cachorro foge, o vizinho o coloca para dentro da casa até a gente ir buscá-lo. Além disso, nós trocamos algumas mudas de plantas com outros moradores da cidade, por exemplo”. Paula também destaca a convivência social e a tranquilidade da cidade como um dos principais benefícios da mudança. Em Raposos, o casal faz parte do espaço Casa de Gentil, que é focado no convívio social da comunidade e na valorização da cultura. A casa existe há um ano e realiza várias oficinas com os moradores, como por exemplo, de percussão. Companheirismo. Em outra residência cercada pela natureza mora o estudante Rodrigo Vieira, 26, que trocou Belo Horizonte por Macacos, distrito de Nova Lima, também na região metropolitana. Como o casal de Raposos, ele se mudou em busca de uma vida mais tranquila. Queria conseguir se concentrar nos estudos, sem o barulho da cidade grande. “Eu tenho um irmão de 14 anos e moro com ele e meu pai. Quando meu pai precisa sair, deixa meu irmão no vizinho, que tem um filho da mesma idade. Na capital, isso seria bem mais complicado”, diz. O companheirismo comunitário também se repete na última cidade da região metropolitana, Itaguara, para onde a jornalista Iza Campos, 25, se mudou depois de conseguir um emprego. “Achei que seria uma boa oportunidade de morar em um lugar diferente e sair da loucura da cidade grande. Só agora, morando há quatro meses no interior, percebo o quanto o ritmo de Belo Horizonte me incomodava”, afirma.

Carona Costume. Moradores de Raposos contaram que a carona é uma tradição entre os moradores da cidade. Algumas pessoas marcam horário para buscar os caroneiros na estrada sem cobrar nada.

Saturação Análise. Para a urbanista Flávia Dias, o que explica as mudanças é a saturação imobiliária da capital. As metrópoles não acompanham o crescimento do número de moradores, que se sentem sufocados. Habitação. Reportagem de O TEMPO do dia 5 de agosto mostrou que, nos últimos três meses, a procura por condomínios fechados em Nova Lima e Lagoa Santa cresceu 15%.

Imóvel mais barato é um dos atrativos Na hora da mudança, a tranquilidade das cidades menores ganha um aliado, o preço do imóvel, já que na região metropolitana as casas são mais baratas. O vice-presidente da Câmara do Mercado Imobiliário (CMI), Leonardo Matos, afirma ser difícil falar em valores em função das características de cada município, mas ressalta que eles são bem mais baixos. “Um dos principais destinos é Nova Lima porque já tem uma infraestrutura bem consolidada. Mas tem procura em Pedro Leopoldo e Lagoa Santa”.

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