Futuro do esporte pós-Jogos preocupa presidente do COB

Atenas, sede de 2004, entrou em crise financeira e esportiva depois da Olimpíada

iG Minas Gerais | Gabriela Pedroso |

Projeção. Expectativa de como vai ficar o Parque Olímpico da Barra da Tijuca, que terá instalações para realização de 15 modalidades
EOM/Divulgação
Projeção. Expectativa de como vai ficar o Parque Olímpico da Barra da Tijuca, que terá instalações para realização de 15 modalidades

Os governos federal, estadual e municipal têm investido pesado desde que a cidade do Rio de Janeiro foi eleita para sediar os Jogos Olímpicos e Paralímpicos de 2016, com a meta de obter um resultado histórico e evitar um vexame em casa na competição. Dos R$ 37,6 bilhões previstos no orçamento olímpico atual – valor R$ 8,8 bilhões maior do que o presente no dossiê de candidatura – 43% (R$16,2 bilhões) vêm do setor público.  

Ainda foram direcionado R$ 1 bilhão à preparação dos atletas por meio do Plano Brasil Medalhas. As ações parecem no caminho certo no que diz respeito ao incentivo ao esporte, mas uma pergunta é inevitável neste momento: o que será do esporte no país após os Jogos do Rio 2016?

A cerca de dois anos do evento, o questionamento pode parecer precipitado. No entanto, o pós-Olimpíada é uma preocupação real dentro do próprio Comitê Olímpico Brasileiro (COB). A continuidade dos investimentos é incerta até mesmo para o presidente do COB, Carlos Arthur Nuzman, apesar de seu otimismo.

“Temos exemplos de que a maioria dos países que organizaram (Jogos Olímpicos e Paralímpicos) caiu (os investimentos) e nós temos essa preocupação, sim. Mas acho que temos de continuar no avanço dos atletas brasileiros; vejo como um resultado que vai ser positivo em 2020 e 2024”, disse Nuzman.

Em setembro de 2012, o governo federal lançou o Plano Brasil Medalhas 2016, com o objetivo de colocar o país no top 10 de medalhas olímpicas e no top 5 de medalhas paralímpicas. O programa também tem como propósito fomentar a formação de novas gerações de atletas e estruturar centros de treinamentos destinados a equipes profissionais até sua base.

Secretário nacional de esporte de alto rendimento, Ricardo Leyser espera que o incentivo não pare em 2016 e seja amplo (para todas as modalidades), democrático (da base ao alto rendimento), nacional (para todas as unidades da federação) e em longo prazo (para além dos Jogos). “Queremos ter o melhor resultado do Brasil, mas queremos que ele seja sustentável”, afirmou.

Desconfiança. Em 2004, Atenas, na Grécia, sediou os Jogos pela segunda vez na era moderna. Os altos investimentos feitos para receber o evento e a “frouxa” política fiscal, porém, acabaram levando o país a uma grave crise econômica. O fato refletiu diretamente no rendimento grego nas edições seguintes dos Jogos. De um 15º lugar na classificação geral na Olimpíada em casa, o país despencou para o 59º lugar em Pequim-2008 e amargou a 75ª colocação em Londres-2012.

Instalações prontas sofrerão mudanças para a Olimpíada Mesmo com os altos investimentos citados, o Rio de Janeiro fará uso de várias instalações que são legados do Pan-Americano de 2007 e da Copa do Mundo de 2014 durante os Jogos Olímpicos e Paralímpicos, em 2016. A política compõe a filosofia do prefeito da capital fluminense, Eduardo Paes, de fazer uma Olimpíada sem “elefante branco” e com limites econômicos aos “delírios olímpicos”. Nesse grupo, estão os estádios Engenhão e Maracanã, o ginásio do Maracanãzinho, os parques aquáticos Júlio de Lamare e Maria Lenk, o Sambódromo, que será usado para a maratona, a Arena Rio, onde serão disputadas as provas de ginástica, o Estádio de Remo da Lagoa e o Riocentro. Os locais sofrerão apenas algumas adequações para a competição esportiva de 2016.

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