Mortes mudam rotina de mulheres em Goiânia

Pais proíbem filhas de saírem sozinhas, mesmo durante o dia, e colocam película escura nos carros

iG Minas Gerais |

Algumas das vítimas dos assassinatos em série em Goiânia
Reprodução/Arquivo pessoal
Algumas das vítimas dos assassinatos em série em Goiânia

Goiânia. Preocupados com a série de mortes em Goiânia, que vitimou 15 mulheres desde janeiro, pais da cidade proibiram as filhas de andarem sozinhas, mesmo durante o dia, e chegaram a colocar película escura nos vidros do carro.

O eletricista José Antônio Duarte, 50, fica apreensivo enquanto as gêmeas Thaynara e Thays Duarte, 18, não chegam em casa depois da faculdade, à noite. “Nossos pais morrem de medo. Se o ônibus demora e a gente não atende logo o celular, sei que eles ficam preocupados”, diz Thays. A veterinária Ana Cristina Bicalho Prado, 41, já pensava em escurecer os vidros do veículo diante do aumento da violência em Goiânia. Na semana passada, no entanto, ela decidiu de vez adotar o insulfilm, por temor dos assassinatos em série cometidos por um motociclista. “Mas, mesmo assim, a gente tem receio, uma sensação de não estar protegida”, afirma a veterinária.

A rotina da filha Ana Gabriela, 13, também foi alterada. Ela e a amiga Marina não passeiam mais com o cachorro da colega fora do condomínio. É o irmão de Marina quem assumiu a tarefa, por ordem da mãe dela.

Ao buscar a filha Giovana, 13, no colégio Marista, a secretária executiva Sandra Belém, 51, agora pede para que a menina vá no banco de trás, e não mais ao seu lado. “É porque eu vi que uma das vítimas foi morta no carro”, justifica a mãe.

Na verdade, foram duas assassinadas dentro do carro: Juliana Neubia Dias, 27, ao lado do namorado, e Rosirene Gualberto da Silva, 29, quando ia a uma festa com a irmã, ambas no mês passado.

Giovana conta que prefere prender o cabelo longo em um coque, para não chamar muito a atenção. Luma Dutra, 12, aluna do sétimo ano, diz que a reclamação na classe é geral nas últimas semanas: os pais de todos os colegas vetaram passeios no shopping à noite. O pai dela, Mauro Augusto da Silva, 48, também proibiu a menina de andar sozinha em praças, por exemplo.

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