Flerte com a arte o tempo todo

Casa onde se escondeu Anne Frank é o ponto turístico mais visitado, mas Van Gogh e Rijksmuseum estão na rota

iG Minas Gerais | Paulo Campos |

Rembrandt. Obra-prima do pintor holandês ocupa um espaço especial na principal sala do Rijksmuseum, um belíssimo palacete
Associated Press
Rembrandt. Obra-prima do pintor holandês ocupa um espaço especial na principal sala do Rijksmuseum, um belíssimo palacete

Amsterdã flerta com a cultura e arte o tempo todo. Não só pelos artistas que se apresentam nas ruas como pelas dezenas de museus, sendo três deles uma das dez atrações imperdíveis da cidade. Prepare dois dias, pelo menos, para uma visita ao Rijksmuseum, ao Museu Van Gogh e à Casa de Anne Frank.

A Casa de Anne Frank é, de longe, o atrativo turístico mais procurado pelos visitantes. As filas são gigantescas – seus ingressos geram espera de dois a três meses. Para os outros dois museus, as entradas também devem ser adquiridos com antecedência no site. Comprar na bilheteria, na hora, é uma loteria. Além das filas, lá dentro disputa-se espaço diante das quadros.

O Rijksmuseum é a parada seguinte. É lá que você vai se deparar com Rembrandt e sua famosa “Ronda Noturna” – não no Rembrandthuis, o outro museu. O prédio é monumental, com extenso e verde jardim, onde os visitantes costumam se deitar para passar as horas.

O museu mais importante da Holanda é uma viagem pela pintura holandesa (Frans Haal, Jan Steen e Vermeer, com sua obra-prima “A Criada na Cozinha”), pelos autorretratos de Rembrandt e Van Gogh e pela coleção de Franz Post, holandês que retratou paisagens do Brasil.

Van Gogh

Diante de tantos museus, o de Van Gogh é obrigatório. Especialmente os dois primeiros andares, que narram os seus dez primeiros anos como artista, o uso da palheta de cores até seus últimos anos no Sul da França. Percebe-se nitidamente que seus quadros eram passos constantes de sua evolução.

No primeiro andar, estão quadros em ordem cronológica e, no segundo, métodos de trabalho do artista. No início da carreira, por volta de 1760, Van Gogh se dedicou ao comércio da arte antes de decidir ser pintor. Sua obra nasceu do apoio do irmão Théo, que o ajudava financeiramente.

No acervo, estão “Os Comedores de Batatas” (1885), primeira grande obra, “Cortesã” (1887), com as influências japonesas em sua pintura, “Auto-Retrato com Chapéu de Feltro” (1888), “Autorretrato de Paul Gauguin” (1888) e “Campo de Trigo com Corvos” (1890), na época em que estava internado em um hospital psiquiátrico.

O museu ainda exibe quadros de artistas que se deixaram influenciar por Van Gogh, como Anton van Pappard e Charles Lavall. Depois da morte de Van Gogh, toda a sua produção foi herdada pelo irmão e, em 1962, cedida para o museu em Amsterdã por sua viúva. Mas não espere ver, por lá, obras como “Os Girassóis”.

Anne Frank

A história de Anne Frank se popularizou depois de virar livro e filme pelas mãos de George Stevens, em 1959. A menina tinha 13 anos quando viveu em um esconderijo secreto nos fundos de um prédio com sua família e outros judeus. Escondida dos nazistas, ela escreveu um diário, hoje traduzido em 32 idiomas, inclusive o português.

A visita à casa – pequena por fora e grande por dentro – é um percurso pelo sofrimento e pela claustrofobia. Das oito pessoas escondidas por Miep Gies-Santrouschitz, Johannes Kleiman, Victor Kugler e Bep Voskkuijl, apenas Otto Frank, pai de Anne, sobreviveu à guerra.

No prédio, percorrem-se (em fila indiana por causa dos espaços estreitos) os escritórios, o depósito, a passagem secreta, uma espécie de esconderijo por trás de uma estante giratória, com quartos, casa de banho e outros aposentos. Há, ainda, documentos e muitas fotos de época, vídeos com depoimentos de Otto Frank, áudios que narram toda a história e as folhas soltas do diário original escrito por Anne.

 

Damrak

Principal via leva até o burburinho

Amsterdã revela suas faces em uma caminhada pelo centro. A principal via, Damnrak, que começa em frente à estação central, leva até a praça Dam. A estação é um prédio belíssimo, imponente, com fachada decorada. Aberta em 1889, foi projetada pelo arquiteto Pierre Cuypers e Dolf van Gendt.

A praça Dam é ornada com enorme obelisco de mármore de 22 m em homenagem aos mortos da Segunda Guerra e circundada por restaurantes, lojas de grife e monumentos históricos, como o Koninklijk Paleis (Palácio Real), a Niewe Kerk (Igreja Nova) e o museu de cera Madame Tussauds.

Nas imediações da Dam e em quase toda a cidade, estão os coffee shops, onde o principal negócio é a maconha. O mais tradicional é o Abraxas (Jonge Roelensteeg 12-14). Se você quiser tomar um café, terá que ir aos cafés, que na verdade são bares, não aos coffee shops. Mas se estiver interessado em um café com muffin, precisa encontrar um Koffiehuis, local onde se vende primordialmente cafés.  

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