Passando em branco

Com uma trama morna, após dois meses de exibição, “Vitória”, folhetim da Record, não sai do marasmo

iG Minas Gerais | anna bittencourt |

Não pega. Como a neonazista Priscila, Juliana Silveira ainda não convenceu na trama de “Vitória”
Michel Angelo
Não pega. Como a neonazista Priscila, Juliana Silveira ainda não convenceu na trama de “Vitória”

Ainda que tenha bons nomes, tanto no elenco quanto no quadro de diretores e autores, a Record sofre com a baixa audiência de suas novelas. Isso não é novidade para ninguém. No entanto, apesar de não alcançar os índices esperados pela emissora, os folhetins, em geral, acabam conquistando alguma parcela do público. Ou, pelo menos, conseguem algum tipo de reconhecimento, seja referente à trama ou a alguma atuação específica. No caso de “Vitória”, não acontece nem um, nem outro. Depois de um primeiro capítulo com um bom ritmo, após um pouco mais de dois meses de exibição a trama de Cristianne Fridman passa em branco e vive em um marasmo que desestimula até um telespectador mais resistente.

O ambiente hípico, que costuma cativar o público, não empolga. As cenas com os cavalos, inclusive com a égua que dá nome à novela, são meras coadjuvantes na história. O gancho é bom, mas é mal aproveitado. O núcleo neonazista, liderado por Priscila, personagem de Juliana Silveira, não convence. Criado para dar um clima mais tenso, o grupo acaba fazendo maldades pouco explicadas. Nesse caso, um pouco de didatismo e contexto histórico poderia salvar de ser apenas uma perversão. Já os componentes do clube de motocross são os poucos que não fazem feio. Ricky Tavares, o intérprete de Mossoró, por exemplo, apresenta uma atuação segura e convence bem no papel.

O trio principal também fica no esquema de ir do nada para lugar algum. Thaís Melchior, que vive a mocinha Diana, não faz feio, mas parece não estar preparada para um papel de tanto destaque. O problema, além da história arrastada, está com seus parceiros de cena. Bruno Ferrari e Rodrigo Phavanello, que interpretam Artur e Rafael – os dois maiores pretendentes de Diana –, deixam muito a desejar. Com um bom personagem, um anti-herói cadeirante cheio de nuances, Bruno poderia brilhar. Mas entrega uma atuação preguiçosa e mediana. Um pouco melhor que o “concorrente”, Phavanello é mais esforçado, mas, ainda assim, não consegue desempenhar um bom trabalho.

Repleta de assuntos polêmicos, “Vitória” não tem conseguido aprofundar e nem criar um debate acerca de nenhum deles. Com uma trama central muito mexicana – supostos irmãos se apaixonando soa dramático demais –, o texto de Cristianne Fridman tem bons diálogos e personagens que podem movimentar a trama.

Serão precisos alguns ajustes para sair da incômoda média de cinco pontos e chegar aos sonhados dois dígitos de audiência.

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