O beligerante Levir Culpi

iG Minas Gerais |

O técnico Levir Culpi tem história no Atlético, assim como no Cruzeiro. Teve boas passagens pelos dois clubes e caiu de vez nas graças da torcida alvinegra quando, em 2006, aceitou treinar o time na Série B e o trouxe de volta à Primeira Divisão. O paranaense é praticamente mineiro por tantos anos já vividos em Belo Horizonte.  Por isso seu nome me soou bem quando foi anunciado para substituir Paulo Autuori, que fazia um péssimo trabalho no Atlético e nunca agradou à Massa. Se tem alguém que conhece o clube e tem moral com a torcida, esse alguém é Levir Culpi. Contudo, desde sua chegada, tenho estranhado sua postura, sempre com palavras fortes e inoportunas, posições intransigentes, dando motivos para que se estabeleça um clima ruim entre ele e os jogadores, e até com a diretoria, mesmo tendo razão na maioria das vezes. Logo quando chegou, Levir substituiu Diego Tardelli no confronto que eliminou o Atlético da Libertadores, e o atleta deixou o campo visivelmente contrariado, dando uma entrevista após o jogo passando do limite no direito de reclamar por ter saído. Em vez de amenizar, Levir respondeu dizendo que o jogador não estava bem – o que era verdade – e que os números de Tardelli com ele eram ruins, o que também não deixava de corresponder à realidade, mas o clima ficou bastante tenso entre os dois. Entendo que um treinador recém- chegado precise mostrar autoridade, o que Levir sempre teve, por sua postura íntegra, dedicada e extremamente profissional, mas é uma faca de dois gumes. Você pode até mostrar autoridade, mas corre o risco de despertar antipatia no elenco. Mas o episódio foi superado, e Tardelli voltou a jogar muito bem, o que demonstra que a sacudida no atacante surtiu efeito, mesmo tendo mexido com um ídolo da torcida, o que Levir também é, mas menos.  Em relação a Ronaldinho Gaúcho, o técnico também estava com razão quando o substituiu em duas oportunidades, pois ele andava em campo. Apesar da total falta de respeito de R10 com o treinador, com os colegas e com o atleta que entrou em seu lugar, pois Ronaldinho foi direto para o vestiário, Levir pegou leve, talvez já sabendo da saída do jogador do clube e pelo próprio episódio com Tardelli.  Agora, a resposta que Levir deu ao ser perguntado sobre as declarações de Marcos Rocha a respeito do tipo de marcação do Atlético foi surpreendentemente infeliz. Afirmar que se sentia traído pelo fato de um atleta ter dito, na saída de campo, ainda no calor da partida, que o sistema de marcação não estava sendo entendido pelos atletas é demais. Não dá para entender. E completou, e não foi a primeira vez, dizendo que se não estivessem contentes com ele no clube, ele sairia. Isso com menos de quatro meses no Galo. Dirigentes, jogadores e técnicos vivem dizendo que a imprensa procura chifre em cabeça de cavalo para “arrumar” crises. Mas, no Atlético, as declarações de Levir têm sido um prato cheio para os jornalistas. Mesmo que o clima interno não seja ruim, não sei até quando isso se manterá caso essa postura beligerante continue. Porém, o que mais me deixa com a pulga atras da orelha é que Levir não teve esse comportamento em seus trabalhos anteriores. Sempre foi um cara ponderado e conciliador. Se impunha por atitudes, por coerência e nunca por peitar jogadores em público. Será que é uma nova estratégia traçada por ele para acabar com o “oba-oba” e com o “nariz empinado” de jogadores e diretoria, termos do próprio Levir?    Sorte de colunista. Ontem, quando eu já havia escrito a coluna, o presidente Alexandre Kalil tuitou escrevendo que quem não estiver contente no clube pode pedir para sair, “sem conversinha”. Logo depois, em outro post, ficou claro que o recado é para Levir. “Ah! Só fica com nariz em pé quem já ganhou Libertadores”. O novo estilo agressivo de Levir encontrou reação, e sua saída é questão de tempo, a menos que engula este sapo. Férias. Gostaria de informar a você, prezado leitor, que, a partir da próxima segunda-feira, estarei de férias. Por isso, nos próximos quatro sábados (23 e 30 de agosto, assim como 6 e 13 de setembro) não será publicada esta coluna. Contudo, no dia 17 de setembro retomo minhas atividades profissionais, prometendo nova coluna para o dia 20 de setembro. Mais uma vez agradeço sua fidelidade, e até lá. 

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave