Cientistas ‘desligam’ a fome por acaso no cérebro de ratos

Descoberta pode levar a tratamentos novos de distúrbios ligados à alimentação

iG Minas Gerais | James Gorman |

Comportamento. Por mais inesperado que tenha sido o resultado do estudo sobre medo e ansiedade, a descoberta pode levar a uma melhor compreensão e ao tratamento de distúrbios alimentares
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Comportamento. Por mais inesperado que tenha sido o resultado do estudo sobre medo e ansiedade, a descoberta pode levar a uma melhor compreensão e ao tratamento de distúrbios alimentares

NOVA YORK. No fundo do cérebro de um camundongo, cientistas recentemente descobriram que uma rede muito pequena de células, milhares no máximo, liga e desliga o apetite. A descoberta foi acidental e considerada promissora para entender os distúrbios alimentares e levar a uma nova perspectiva de tratamento para o problema que afeta a cada dia mais pessoas no mundo.

Eles utilizaram a mais sofisticada das técnicas modernas, mas como costuma ocorrer na ciência – a penicilina, o velcro e o Viagra que o digam –, os pesquisadores descobriram algo que não estavam procurando.

“Foi uma descoberta acidental”, disse David Anderson, do Instituto de Tecnologia da Califórnia, cientista sênior da equipe que informou o achado, no periódico “Nature Neuroscience”.

Surpresa. A descoberta pode levar a uma melhor compreensão e ao tratamento de distúrbios alimentares. A surpresa e o drama do achado são imediatamente claros, no entanto, em vídeos do laboratório. Concentradamente, um rato mastiga ração até que um sinal de luz é enviado para seu cérebro e o roedor vai embora, desinteressado pela comida.

Como os pesquisadores esperavam que o sinal provocasse um comportamento de medo ou ansiedade, “foi um resultado muito surpreendente”, disse Anderson, professor de biologia do Instituto de Tecnologia da Califórnia e pesquisador do Instituto Médico Howard Hughes.

Seu laboratório já havia estudado esse pequeno grupo de neurônios, numa parte do cérebro chamada amígdala. A pesquisa anterior era sobre medo, emoção fortemente vinculada à amígdala tanto em camundongos quanto em humanos.

À medida que a técnica da optogenética se tornou mais e mais refinada, o pesquisador achou que valia a pena revisitar os neurônios com essa nova ferramenta. A optogenética exige a manipulação genética de células específicas para torná-las sensíveis a determinado comprimento de onda, nesse caso, à luz azul.

FIBRA ÓTICA. Então, cabos de fibra óptica são inseridos no cérebro e, quando a luz é acesa, neurônios podem ser ligados e desligados. Pesquisadores do laboratório de Anderson, incluindo Haijiang Cai, cientista que faz pós-doutorado e é coautor do relatório, prepararam os camundongos e conduziram a experiência com o resultado completamente inesperado.

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