Justino! Justiníssimo!

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“Apesar da burocracia, acredito ser possível fazer uma política com criatividade”
eugênio sávio/divulgação
“Apesar da burocracia, acredito ser possível fazer uma política com criatividade”

O múltiplo prefeito de Tiradentes, Ralph Justino é um bom camarada e ninguém pode negar. Sabe de tudo sobre turismo e não economiza suas aulas e experiências. Ralph realmente pensa, faz e acontece. Faz acontecer. Já criou muito, tudo com sucesso, mas não esmorece, não para de ter ótimos planos.

 

Ralph, uma pequena apresentação sobre você, por favor. Qual tua formação até ser prefeito de Tiradentes?

 

Tenho 57 anos e sou natural de Belo Horizonte. Estudei arquitetura na UFMG. Abandonei o curso para ser empresário do cantor Raimundo Fagner quando o lançamos para o grande público no final dos anos setenta. Depois fui estudar cinema em Los Angeles, quando voltei ao Brasil fiz alguns médias e curtas metragem com destaque para o documentário “Carnaval - O aval da carne” que representou o Brasil no Festival de Veneza em 1983. Vim morar em Tiradentes em 1992 com o intuito de construir uma pousada e levar uma vidinha na rede. Acabou que minha vida se transformou quando aceitei ser secretário de Cultura e Turismo de Tiradentes. Tive a ideia de fazer a Mostra de Cinema e Festival de Gastronomia investindo no turismo cultural. Depois estive a frente do mesmo cargo em Barbacena e São João del Rei. Ano passado assumi a prefeitura de Tiradentes.

 

Você é um criador, um cara criativo. Consegue manter estas qualidades como político?

 

A política nos dá a possibilidade de transformarmos as cidades e a vida das pessoas. Apesar da burocracia acredito ser possível fazer uma política com criatividade. Aliás, acho que tudo na vida tem que ser feito tentando ser diferente. Tentando fazer melhor, com um novo olhar. As escolas deviam investir mais na formação dos alunos com este perfil. Só deste jeito podemos mudar o Brasil e mostrar nosso jeito para o mundo.

 

Fale sobre o Festival da Loucura, o único evento que deu certo em Barbacena, atraindo turistas. Por que não vingou?

 

Este evento foi um dos que eu mais me entusiasmei. O tema é riquíssimo e estimulante. É a cara de Barbacena por conta de toda a história que esta cidade tem com o tema da loucura. Conseguimos mudar o conceito negativo que o barbacenense tinha sobre este tema. Uma vontade de jogar a história debaixo do tapete. Como demos um perfil positivo e mostrando mais o caráter genial da loucura, logo a população comprou a ideia. Até hoje pessoas me param para perguntar sobre o Festival. Infelizmente a administração que nos sucedeu tentou dar continuidade, mas erraram no conceito. Fizeram uma programação equivocada. Ela é a chave do sucesso. É uma pena. A secretaria de Estado de Saúde patrocinava uma boa parte do evento, pois é uma forma lúdica e com bastante espaço na mídia para a inclusão do tema da doença mental. O prefeito Toninho Andrada chegou a me cogitar para ajudar a voltar o Festival. Eu estou à disposição para colaborar.

 

Administrar uma cidade não deve ser fácil, mas uma cidade turística com Tiradentes ajuda muito, né?

 

Administrar uma cidade é um dos grandes desafios que podemos ter. As diversas formas e possibilidades como as pessoas veem as cidades acabam tornando difícil descobrir qual o melhor caminho que devemos seguir. Mas é nessa diversidade e na forma democrática que conseguimos avançar e tentar buscar uma melhor qualidade para nós moradores. Com certeza dirigir uma cidade com a história de Tiradentes, me traz muito orgulho. Uma cidade com menos de oito mil habitantes e sem ter uma periferia degradada ajuda e facilita muito.

 

Às vésperas de mais um Festival de Cultura e Gastronomia, que diagnóstico faz da cidade e de outros eventos?

 

O turismo de eventos é uma das principais características para atrair turistas para qualquer cidade. Hoje temos no Brasil e em todo o mundo cidades charmosas que de certa forma são concorrentes entre si. Os eventos acabam trazendo um público específico para Tiradentes além de dar grande visibilidade e dessa forma deixam uma memória positiva no inconsciente dos turistas. Com minha administração incentivamos a criação dos eventos Tiradentes em Cena, Festival de Vinho Jazz e o Mimo que acontecerá pela primeira vez este ano em outubro. A prefeitura por sua vez produziu o Banquete da Inconfidência (uma única e grande mesa para quase mil pessoas na Rua Direita) e o Natal iluminado. Temos um grande evento todo mês. Tiradentes é a cidade do interior com a melhor programação cultural do Brasil.

 

Turismo é a solução mais recomendável e sustentável?

 

Turismo é uma grande solução e com certeza uma das indústrias mais sustentáveis. Mas Tiradentes já está com uma programação de certa forma completa para eventos que aconteçam em espaços públicos. A montagem e desmontagem dos grandes eventos acabam trazendo certo transtorno para nós moradores. A solução está em desenvolver o turismo de negócios que deve acontecer de segunda a quinta dentro dos centros de convenções das pousadas. Desta forma fortalecemos nossa indústria sem causar problemas estruturais nos espaços públicos.

 

No que Tiradentes pode melhorar ainda? O que falta a esta bela cidade?

 

Apesar de a cidade ser este presépio, muito ainda tem que ser feito. Conseguimos com a Copasa a compra de um novo terreno para a construção de nossa ETE (Estação de Tratamento de Esgoto). A prefeitura já possui recursos em caixa e irá licitar neste semestre a obra de retirada do esgoto do Ribeiro Santo Antônio que corta a cidade. Em breve Tiradentes será a primeira cidade histórica do Brasil com 100% do esgoto tratado. A partir do dia 18 de agosto começamos a nossa coleta seletiva e em setembro vamos acabar com nosso lixão a céu aberto. Também em setembro estaremos licitando a obra de revitalização do calçamento do Centro Histórico que irá reassentar de forma mais harmoniosa nosso calçamento possibilitando mais facilidade para as caminhadas. Após esta obra pretendemos proibir o trânsito de automóveis nos fins de semana no centro. Estamos incentivando a criação de novos estacionamentos; municipalizando o trânsito e criando o agente de trânsito que organizará melhor o tráfico de automóveis. Desta forma acreditamos que Tiradentes será uma cidade melhor para os turistas e moradores.

 

Sobre nossa mesa, o livro “A Construção do Turismo – Megaeventos e outras estratégias de venda das cidades”, de Altamiro Sérgio Mol Bessa e Lúcia Capanema Álvares. É por aí que se traz receita para uma cidade?

 

O turismo é importante, ainda mais quando temos uma cidade charmosa, com lindas pousadas, excelentes restaurantes e um artesanato tão original. Mas acredito que temos que buscar outras frentes. Estamos pensando em criar um polo industrial especializado em Tecnologia de Informação, uma indústria que não polui, que precisa de pequenos espaços e trás oportunidades para nossos jovens além de trazer mais receita para o município. A cidade está ao lado de uma grande universidade, em São João del Rei, e numa localização privilegiada entre Rio, Belo Horizonte e São Paulo. E a inteligência que esta indústria precisa, acaba atraindo um público especial; mais atenção e visibilidade para a cidade.

 

Planos para os próximos anos....

 

Muitos. Implantamos em nossa Escola Municipal, nas Águas Santas, um projeto pioneiro e revolucionário nos mesmos moldes da Escola da Ponte de Portugal e o projeto Âncora de São Paulo do Professor Pacheco. Pretendemos, ano que vem, introduzir nas outras escolas. Além de melhorar a formação intelectual ele quer melhorar a formação de personalidades com estimulo à afetividade, honestidade, responsabilidade, respeito, solidariedade e trabalho em equipe. Na saúde estaremos melhorando o programa de saúde da família e implantando as práticas integrativas com a introdução de Homeopatia, Acupuntura e Tai chi chuan. Fortalecer a sustentabilidade criando leis que estimulem os proprietários de imóveis a investirem em colocação de coletores solares e reaproveitamento de água de chuva. Entre outras ideias.

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