Músicas para além do refrão

Cantor e compositor faz show de seu primeiro disco solo

iG Minas Gerais | gustavo rocha |

Multi-instrumentista, Brasil trabalha em Belo Horizonte há 15 anos
Sylvio Coutinho
Multi-instrumentista, Brasil trabalha em Belo Horizonte há 15 anos

A trajetória de Léo Brasil pela música em Belo Horizonte é feita de muitas parcerias com gente de várias vertentes. Essas podem ser ouvidas no disco “Canção Visionária”, lançado em 2013. Brasil fará show gratuito hoje, no Memorial Minas Vale, no qual apresenta o disco e também versões de canções de outros músicos. “É uma espécie de mosaico da minha trajetória pela música, através de parcerias com gente com quem tenho afinidade”, garante. Os parceiros são o grupo São Doidão, Meninas de Sinhá, Pedro Morais, Pereira da Viola, Denti e Helder Araújo

Há 15 anos compondo e tocando, esse é o primeiro disco do músico. Ele já tocou com Zeca Baleiro, Dona Jandira, Grupo Amaranto, Antônio Nóbrega, Pereira da Viola, Maurício Tizumba dentre outros. Seu trabalho, segundo ele, representa uma fusão de questões maiores, transcendentais.

“Tem uma questão filosófica, mística muito forte, desse sincretismo plural que a gente vive no Brasil. Eu falo desses caminhos, mas não é um disco religioso”, afirma o músico.

As influências de Brasil são tão diversas quanto suas parcerias ao longo da carreira. Passam por Cássia Eller, Zé Ramalho, Milton Nascimento, Raul Seixas, Pink Floyd, Led Zeppelin e outros tantos.

Por meio deles, ele sente um certo incômodo com a música produzida agora e com sua geração de amigos e músicos. “O pessoal é meio sonâmbulo, né? A turma da minha idade tem pouca consciência. Por isso, meu trabalho contraria uma certa lógica da música que é produzida na atualidade, que se concentra nessa estrutura dos refrões fáceis, vulgarizando partes do corpo, insinuando sexo etc.”, revela o músico.

Por isso, talvez, ele se identifique mais com artistas de outrora, cujas canções representavam muito mais do que a música pela música.

“Eu sinto falta de artistas que tenham o que dizer, com um língua mais afiada para tudo. Pessoas que coloquem as questões. Meu disco não é panfletário, longe disso, mas é um desabafo, sem perder o otimismo”, afirma.

Ao passar parte de sua vida tocando com gente variada, o estilo do primeiro disco assinado pelo músico apresenta a mesma diversidade: “É afro rock progressivo pagelança com dendê de sambaião”, se diverte ele. Mas logo explica, “É uma mistura e um reflexo da música urbana universal. Como nossos tropicalistas faziam muito bem. A gente coloca tudo dentro de um tacho e faz essa grande mistura”, conclui.

Agenda

O quê. Léo Brasil apresenta “Canção Visionária”

Quando. Hoje, às 16h.

Onde. Memorial Minas Vale (Praça da Liberdade, esquina com rua Gonçalves Dias)

Quanto. Gratuito

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