Não

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acir galvao
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Dizer não é dizer sim  Saber o que é bom pra mim  Não é só dar um palpite Dizer não é dizer sim  Dar um não ao que é ruim  É mostrar o meu limite... (Kid Abelha)   Paula Toller, na música “Dizer Não É Dizer Sim”, do Kid Abelha, canta uma das maiores verdades que eu já ouvi: “Dizer não é dizer sim, dar um não ao que é ruim é mostrar o meu limite...”. Quantas vezes na vida, nos pegamos dizendo “sim” quando tudo o que gostaríamos de dizer seria um grande e sonoro “não”?  Minha mãe sempre fala: “É melhor ficar vermelha uma vez do que ficar amarela para o resto da vida!” E a verdade é que eu já perdi a conta das vezes em que fiquei amarelada de raiva ao dizer “sim” a algum convite ou pedido, por pura vergonha de negar. Por medo de desagradar a outra pessoa, acabo desagradando a mim mesma e passando por situações sem ter a menor vontade. Ainda piores foram as vezes em que eu disse “sim” e depois me arrependi profundamente. Acredite, dizer “não” depois de dizer “sim” é muito pior do que apenas negar de primeira. A vergonha vem em dose dupla, primeiro pelo “não” em si e depois por desapontar alguém que já conta com o seu “sim”. Comecei a analisar o outro lado. Várias vezes eu já ouvi “não”. E vários tipos de não. Algumas pessoas dizem o “não” sem vergonha alguma. Outras pedem desculpas e depois dizem “não”. Outros simplesmente não dizem nada e dão a entender que a resposta é negativa. Sinceramente, prefiro muito mais o “não” direto, aqueles “nãos” que são ditos descaradamente... Desde que eles venham também com uma boa justificativa! Eu nunca fiquei com raiva de ninguém por ouvir um “não” desses... Quer dizer, talvez um pouquinho, apenas na hora da recusa. Mas não fiquei menos amiga de alguém por ter deixado de ouvir um “sim”. Já aqueles “nãos” que vem junto com desculpas eu não gosto. Fico com pena da pessoa, porque imagino o quanto ela está sofrendo para recusar... E aí trato de dizer rapidamente que não tem problema algum, para acabar logo com aquela agonia. Mas o pior da espécie é mesmo o “não” oculto, aquele que não é dito por palavras. Porque ele nos deixa com esperança até o último instante, com expectativa de que a qualquer momento ouviremos um “sim”... Que acaba nunca chegando.   Por isso, acho que, se for pra ouvir uma negativa, prefiro que seja o quanto antes. Para tirar aquilo da cabeça e procurar outras situações ou pessoas que possam me dizer um “sim”. E foi por causa disso que cheguei à conclusão de que, se eu posso ouvir um “não” – sem ter a minha vida abalada por causa de uma simples palavra –, as outras pessoas também podem. Hoje em dia, já consigo negar, apesar de ainda sofrer muito antes. Fico ansiosa, com pena da pessoa e apreensiva pela possibilidade de que ela fique com raiva. Mas nesses momentos penso que seria ela ou eu. Já senti muita pena de mim mesma por ter que fazer coisas sem ter vontade, apenas para agradar os outros. E já morri de raiva da pessoa que me fez o pedido simplesmente por ela ter me colocado naquela situação. Então, o melhor é ensaiar os argumentos antes, respirar fundo e simplesmente dizer “não”. O alívio que vem depois certamente compensa a “cara de pau”! Porque, como já dizia a Paula Toller: “Dizer não é dizer sim... ao que é bom para mim”! Ou isso, ou ficar amarela pra sempre...

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