Sobre o espaço urbano

Mostra “Horizontes Urbanos” chega à 5ª edição, com atrações que vão do amanhecer até a noite

iG Minas Gerais | Jessica Almeida |

O Movasse Coletivo de Dança transforma a praça num set aberto de filmagem
Felipe Messias/divulgação
O Movasse Coletivo de Dança transforma a praça num set aberto de filmagem

A rua é o território do inesperado. Essa característica, que pode dar a sensação de que ela não é o ambiente mais apropriado para determinadas manifestações artísticas, é justamente um dos motivos pelos quais a mostra “Horizontes Urbanos”, que chega à 5ª edição na próxima semana (confira programação completa abaixo), foi concebida.

“Houve uma vez em que um cachorro entrou no meio do espetáculo. Numa outra, reclamaram conosco que estávamos atrapalhando o percurso que a pessoa estava habituada a fazer”, conta Jacqueline de Castro, diretora de produção e curadora do evento. “Mas a rua é uma adrenalina, acontece de tudo. Do mesmo jeito, muita gente também para e acompanha, vem perguntar. É essa relação com os diversos tipos de pessoas e suas intenções que nos interessa”, diz.

Idealizada por ela, ao lado de Wagner Tameirão – com quem realiza a mostra de solos e duos “1, 2 na Dança” há mais de uma década –, a “Horizontes Urbanos” surgiu em 2007, a partir de uma carência que ambos sentiam em relação a propostas de apresentações que ocupassem a rua. Por isso, os espetáculos e performances da programação não são meramente adaptados do palco para o espaço urbano, mas concebidos especialmente para ele.

A proposta é chamar a atenção tanto para as performances em si, quanto para a paisagem em que elas estiverem inseridas. “Muita gente passa todos os dias pelos mesmos lugares, mas nunca presta atenção, nunca está disponível. Mas a partir do momento em que existe uma dança no meio do caminho, uma interferência urbana, aquilo te desperta para o entorno, muda seu olhar”, explica Tameirão, que assina a direção geral do projeto.

Programação

A programação desse ano, distribuída em quatro dias, vai literalmente do amanhecer até a noite. “Tivemos essa ideia de fazer a ‘Alvorada’, às 6h30 da manhã, trazendo uma banda de jazz e improvisações. Uma coisa de acordar a cidade, mesmo”, diz a diretora de produção.

Além de uma série de espetáculos locais, a mostra traz o francês Jérôme Bel ao lado do tailandês Pichet Klunchun e o espanhol Daniel Gómez. “Uma coisa que vamos experimentar será a ‘Batalha de Gêneros’, na festa de encerramento, vão ser duelos com vários estilos de dança”, explica Tameirão. “Não podemos negar que existe hoje um movimento de dança urbana que não se restringe mais aos sinais de trânsito. Está acontecendo em vários locais da cidade e essa é a nossa maneira de reverenciar essas pessoas”, completa.

Rede internacional

O “Horizontes Urbanos” integra a rede internacional “Ciudades que Danzan”, ligada à Associación Marató de L'Espetacle, sediada em Barcelona. “Descobrimos, na época da idealização, que existia essa rede que reunia festivais desse formato, contemplando vários países da Europa e da América do Sul. Nos afiliamos e nos envolvemos com o processo de participação, que é muito democrático e nos possibilita o contato com uma diversidade muito grande de trabalhos”, explica.

 

PROGRAMAÇÃO

Segunda (18) Funarte MG (r. Januária, 68, Floresta) 19h “Pichet Klunchun and Myself”, com Jérôme Bel (França) e Pichet Klunchun (Tailândia) “Dançando, Parando e Comendo...”, com Dudude (MG) 20h45 “Reação”, com Patrick Vilar (MG) 21h “Camino Vertical/Horizontal”, com Daniel Gómez (Espanha)

Terça (19) Trajeto: da Praça da Liberdade até a praça da Savassi 6h30 Alvorada: “Acordar a Cidade com Música e Dança” Praça da Liberdade 10h “Parquear”, com Dança Multiplex e convidados (MG) Funarte MG 15h “Pichet Klunchun and Myself”, com Jérôme Bel (França) e Pichet Klunchun (Tailândia) Praça da Liberdade 18h “Camino Vertical/Horizontal”, com Daniel Gómez (Espanha) 18h20 “Se7 Aberto”, com Movasse Coletivo de Dança (MG) Edifício Maletta (av. Augusto de Lima, 233, centro) 20h Projeções

Quarta (20) Praça Floriano Peixoto (Santa Efigênia) 10h “Parquear”, com Dança Multiplex e convidados (MG) Praça Sete (quarteirão fechado da r. Carijós com r. São Paulo, centro) 15h “Monumento: Segundo Estudo sobre Legado”, com Cibele Maia (MG) e Arthur Doomer (PI) “Paisagens Insolúveis para a Cidade”, com Alex Silva, Fernanda Coffers, Gabriela Christófaro, Marise Dinis, Raquel Pires e Sérgio Penna (MG) Rodoviária (praça Rio Branco, 100, centro) 16h30 “Metáfora do Encontro”, com Cia. Gente (RJ) “Se7 Aberto”, com Movasse Coletivo de Dança (MG) “Mister K”, com Osman Khelili (França) Edifício Maletta (av. Augusto de Lima, 233, centro) 20h Projeções

Dia 21 (quinta) Memorial Minas Gerais Vale (praça da Liberdade) 10h Encontro para conversar: “A Dança e a Cidade” Savassi (quarteirão fechado da r. Pernambuco com Tomé de Souza) 14h “Paisagens Insolúveis para a Cidade”, com Alex Silva, Fernanda Coffers, Gabriela Christófaro, Marise Dinis, Raquel Pires e Sérgio Penna (MG) “Reação”, com Patrick Vilar (MG) “Metáfora do Encontro”, com Cia. Gente (RJ) Mercado das Borboletas (av. Olegário Maciel, 742, 3º andar, centro) Festa de encerramento (ingressos antecipados no local a R$ 5, e na hora R$ 10 (inteira) 21h30 “Monumento: Segundo Estudo sobre Legado”, com Cibele Maia (MG) e Arthur Doomer (PI) 23h Batalha Show de Gêneros Projeções

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