Um espaço de expressões singulares

Sob a orientação da dramaturgista Rosa Hercoles, espetáculo de dança se alicerça nas diferentes influências e nos modos particulares de construção de seus três integrantes

iG Minas Gerais | João Paulo Costa |

Espetáculo parte dos modos individuais de construção de seus três integrantes para enaltecer a coletividade em cena
PAULA HUVEN/DIVULGAÇÃO
Espetáculo parte dos modos individuais de construção de seus três integrantes para enaltecer a coletividade em cena

Corpos bailando no ar, movimentos corporais que instigam e uma busca constante por novas leituras na dança. Ao longo dos seus 14 anos de existência, o pensamento cênico da Companhia Suspensa sempre foi orientado por trabalhos coletivos de investigação do corpo no espaço aéreo, tendo como referência a relação chão-corpo-verticalidade.

Por onde ela passou, seus integrantes, valendo-se de pêndulos, plataformas suspensas, cordas e gangorras, chamavam a atenção pela plasticidade e inovação nos movimentos apresentados. Porém, há algum tempo, os integrantes Lourenço Marques, 35, e as irmãs Patrícia, 44, e Roberta Manata, 40, sentiram a necessidade de explorar outros elementos da dança contemporânea e levar seus repertórios corporais para um novo espetáculo.

Essa vontade resultou no “(1-p/3) 1 Espaço para 3”, que estreia na próxima quinta (21), no Teatro Klauss Viana. Sob a orientação da dramaturgista Rosa Hercoles, o espetáculo de dança se alicerça nas diferentes influências e nos modos particulares de construção de seus três integrantes para, ao longo da apresentação, traçar um panorama de que aquilo que foi produzido coletivamente não pode ser apagado, ainda que realizado por três solos distintos.

Construção

Segundo Lourenço Marques, a nova montagem foi uma oportunidade dos integrantes da companhia experimentarem uma nova fase dentro da companhia. “Esse espetáculo abre um momento especial. É uma possibilidade de nos revisitarmos, enxergarmos onde estão nossas referências e construirmos, a partir de nossas singularidades, novas narrativas coletivas, onde nos apropriamos do que é do outro e imprimimos também a nossa marca individual”, conta.

Na mesma linha Roberta Manata ressalta a troca de experiências entre os integrantes. “Como dividir um espaço com três visões diferentes? O que parecia difícil se tornou fácil, pois fomos percebendo que, apesar de apresentar um solo, nós poderíamos potencializar o que há de bom no trabalho do outro e o resultado foi um diálogo diverso e democrático”, diz.

Já sua irmã Patrícia revela que as apresentações solo dos integrantes podem virar um projeto futuro ainda maior. “O que do outro me serve e o que do outro não quero. Tudo isso foi muito bem pensado. Levantamos nossas questões e para um futuro bem próximo. Esses solos podem ganhar mais consistência e virar novos espetáculos, com novas linguagens e novas experiências”, afirma.

Efeitos cênicos

Outro aspecto interessante de “(1-p/3) 1 Espaço para 3” é o jogo de luz e a trilha sonora, que enaltecem as individualidades dos dançarinos, além de criarem um rastro de permanência de suas performances que se convergem e coexistem em cena. Elementos como as geografias do corpo, o equilíbrio, a resistência corporal e nuances da dança contemporânea ganham destaque. 

Espetáculo “(1-p/3) 1 Espaço para 3”

Teatro Oi Futuro Klauss Vianna (av. Afonso Pena, 4.001, Mangabeiras, 3223-6756).

Estreia dia 21 (quinta). Quintas e sextas, às 21h; e sábados e domingos, às 19h. Até dia 31 de agosto. R$ 10 (inteira). 

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