Entre os silêncios de Ceumar

Cantora lança seu novo álbum na próxima quarta (20), no Teatro Bradesco

iG Minas Gerais | Jessica Almeida |

Ceumar faz turnê pelo Brasil durante o mês de agosto e, em setembro, começa a divulgar “Silenciar” no exterior
Tiê/divulgação
Ceumar faz turnê pelo Brasil durante o mês de agosto e, em setembro, começa a divulgar “Silenciar” no exterior

Depois de ter passado 14 anos em São Paulo e há cinco morando na Holanda, a cantora e compositora Ceumar, nascida em Itanhandu, no sul de Minas, diz que se sente mais mineira do que nunca. E esse sentimento está em “Silencia”, sexto disco de sua carreira, que ela lança em BH na quarta (20), no Teatro Bradesco. “Me sinto muito mais ligada a Minas. Depois que fui pra Holanda, venho buscando minhas raízes e querendo me encontrar dentro dessa poética das montanhas. E isso é perceptível no show”, diz.

O novo álbum foi concebido em parceria com o violoncelista francês Vincent Ségal. “Esse disco foi delineado a partir do som mágico que o Vincent faz com o cello dele, com as cores novas que ele traz. É como um rio que vai nos levando. A isso eu juntei o meu violão e depois os outros músicos foram chegando e, sem partitura ou formalidades, íamos conversando durante os ensaios”, conta. Gravado “ao vivo no estúdio” em apenas cinco dias, o disco acabou se revelando fortemente permeado por uma dinâmica entre som e silêncio, o que acabou refletindo na forma como foi chamado. “Tínhamos várias opções de nome, mas tudo foi nos levando para esse sentido dentro do disco. Depois de gravado, fomos percebendo como trabalhamos as pausas e notando muitos momentos de silêncio dentro das músicas”, lembra Ceumar. “E como a música que fecha também se chama ‘Silencia’, achei bonito fazer essa associação”.

Pela internet

A distância do Brasil não impediu que o trabalho fosse recheado de participações de parceiros daqui, como Gildes Bezerra, Sérgio Pererê, Nando Távora, Kleber Albuquerque, Tata Fernandes e Déa Trancoso. Para isso, foi fundamental o uso da internet e a mediação das redes sociais. Várias canções de “Silencia” nasceram após terem sido postadas no Facebook, em forma de poemas. “Assim que Déa postou um poema chamado ‘Levitando’, eu musiquei e já mandei pra ela. Acabou entrando no disco. A mesma coisa aconteceu com dois do Gildes Bezerra. Ele também acabou fazendo ‘Rio Verde’ especialmente pra uma melodia minha e fomos nos falando, apesar da distância”, diz. “Temos que achar formas de continuar trabalhando juntos, mesmo que não possamos sentar e tomar um cafezinho enquanto isso”, brinca.

Sobretudo depois que foi morar na Holanda, Ceumar se esforça para mostrar a riqueza dos ritmos brasileiros e prefere não se restringir ao samba e à bossa nova, que já são conhecidos fora daqui. “Silencia” reflete esse posicionamento e passeia pelo maxixe, xotes, cocos e chulas. Disponível para download no site da artista (ceumar.com.br), inclusive com encarte, o álbum também tem participação de alguns familiares. Seu filho, Tiê Coelho Todão, fez o desenho da capa e a sobrinha Juliana Coelho, o design. Além do sobrinho, Daniel Coelho, que toca baixo acústico no show.

Sul de Minas

Ceumar gravou participação no documentário sobre artistas sul mineiros de Jucilene Buosi e Wolf Borges. “Não sei exatamente em que pé está, mas acho que estão bem adiantados com a captação. Acho um trabalho super necessário, afinal nomes como Milton Nascimento, Wagner Tiso e André Tiso são referências na nossa história e vieram de lá”, declara.

Ceumar

Teatro Bradesco (r. da Bahia, 2.244, Lourdes, 3516-1360).

Dia 20 (quarta), às 21h. R$ 40 (inteira)

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