Recorte de uma grande coleção

Um dos itens da exposição é um retrato do próprio Ludwig, de Andy Warhol

iG Minas Gerais | Jessica Almeida |

A seleção pertence ao Museu Ludwig no Museu Estatal Russo de São Petersburgo
A seleção pertence ao Museu Ludwig no Museu Estatal Russo de São Petersburgo

Dos retratos feitos por Andy Warhol, entre John Lennon, Marilyn Monroe e Michael Jackson, a figura de Peter Ludwig (1925-1996) parece destoar. Embora não fosse um ícone pop, Ludwig, empresário alemão da indústria de chocolates, recebeu a homenagem de Warhol por ter sido um agente fundamental na difusão da arte pop norte-americana na Europa, por meio de seu trabalho como colecionador. Mais do que isso, reuniu, com a ajuda da mulher Irene, uma das coleções particulares mais importantes do mundo.

Um recorte desse acervo – que ultrapassou as 20 mil unidades – estará em Belo Horizonte a partir de quarta (20), na exposição “Visões na Coleção Ludwig”, em cartaz no Centro Cultural Banco do Brasil. A seleção pertence ao Museu Ludwig no Museu Estatal Russo de São Petersburgo. Ela evidencia momentos distintos da arte no século XX, como o cubismo o neoexpressionismo alemão, a arte pop, além da produção na extinta União Soviética. Entre os nomes de peso da lista, o já citado Warhol, Picasso (um dos preferidos de Ludwig), Roy Lichtenstein, Gerard Richter, Jeff Koons e uma tela de Jean-Michel Basquiat, famoso por grafitar muros em Nova York.

Inquietações

Apesar de abrangente e heterogênea, a seleção não deixa de evidenciar a marca do colecionador, como ressalta a coordenadora-geral da mostra, a cubana Ania Rodriguez. “A exposição não é baseada num acervo recortado. Trata-se das múltiplas inquietações desse homem e como elas foram moldando visões de arte”, explica.

Profundo conhecedor de história da arte, Ludwig fez mais que estimular a produção artística pela aquisição ávida. “Os museus que levam o nome de Ludwig (12, no total) influenciaram fortemente a produção de países fora do circuito principal, como Rússia, Hungria e China. São lugares nos quais o projeto Ludwig entrou para conhecer um pouco mais de sua cultura e deixou uma marca através da promoção de um intercâmbio, um diálogo cultural entre artistas locais e globais”, diz Ania.

A vinda da exposição para o Brasil é mais uma etapa nesse processo iniciado por ele, mesmo após sua morte. “Não estamos trazendo somente obras conhecidas e isso fazia parte da metodologia de trabalho dele. O esforço de trazer parte da coleção pra cá, que foi um país que ele não explorou em vida, não faz mais do que satisfazer um desejo seu”.

Visões na Coleção Ludwig

CCBB BH (praça da Liberdade, 450, Funcionários, 3431-9400).

De 20 de agosto (quarta) a 20 de outubro.

Todos os dias, exceto às terças-feiras, das 9h às 21h. Gratuito.

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