Paulo Coelho sobre-humano

Julio Andrade interpreta o papel do escritor em três fases de sua vida, inclusive na velhice

iG Minas Gerais | Jessica Almeida |

“Não Pare na Pista” passa por quatro fases da vida de Coelho de forma não-linear
Sony Pictures/Divulgação
“Não Pare na Pista” passa por quatro fases da vida de Coelho de forma não-linear

Se a intenção de “Não Pare na Pista: A Melhor História de Paulo Coelho” é ser mais popular que as obras do escritor, como indica o subtítulo da cinebiografia que estreia esta semana (confira roteiro nesta pág.), é provável que o longa não alcance seu objetivo. Possivelmente, o relato das experiências pessoais do Mago o aproximará de seus admiradores, mas as chances de fazê-lo conquistar novos fãs são bem menores. Apesar de ter seus méritos, o trabalho é pouco eficiente num aspecto fundamental: criar empatia pelo protagonista.

Dirigido por Daniel Augusto e roteirizado por Carolina Kotscho (de “2 Filhos de Francisco”, 2005), “Não Pare na Pista” passa por quatro fases da vida de Coelho de forma não-linear, indo e voltando entre sua adolescência, o início da vida adulta, a meia idade e o período recente – chegando a ser redundante além da conta, graças à excessiva inserção de letreiros que identificam cada etapa. O roteiro opta por uma narrativa abrangente, mostrando diferentes aspectos da vida do autor em cada uma dessas fases, dos conflitos da juventude – sobretudo com o pai, resultando mais de uma vez em internações em instituições psiquiátricas –, à forma como desfruta da maturidade e do sucesso hoje. Todas elas pontuadas pela forte relação do autor com questões espirituais e místicas.

A aparente superficialidade que resulta dessa escolha não é necessariamente ruim, já que ela permite que as pontas soltas sejam amarradas de diferentes formas pelo espectador. O que dialoga com o que o ator Julio Andrade (de “Gonzaga: De Pai pra Filho”, 2012), que divide o papel principal com o irmão mais novo Ravel Andrade, disse na coletiva de divulgação do filme. “Tentei levar ao pé da letra uma coisa que ele sempre diz: ‘Eu sou o que as pessoas pensam que eu sou’. O Paulo Coelho que está no filme é uma mistura do que eu, do que o Ravel, do que o Daniel e do que a Carolina pensamos”.

Porém, talvez por ser baseado em depoimentos do próprio Coelho, o filme não consegue escapar de criar uma versão romantizada do escritor, principalmente ao relatar sua relação com Raul Seixas, que carece de detalhes para ser melhor compreendida.

Apesar da qualidade técnica e das atuações marcantes não só do par que faz o protagonista, mas do elenco como um todo, com destaque para Fabiula Nascimento e Enrique Diaz – esse último, responsável pela cena mais tocante do filme – como pais do escritor, “Não Pare Na Pista” distancia Coelho da audiência ao retratá-lo menos como humano e mais como herói.

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