Traços da vida contemporânea

Em “O Urro”, o ator André Senna contracena com projeções de HQs

iG Minas Gerais | Luciana Romagnolli |

Espetáculo discute a vida ocidental contemporânea e seus valores capitalistas
Gil Amâncio/Divulgação
Espetáculo discute a vida ocidental contemporânea e seus valores capitalistas

“O Urro”, espetáculo codirigido por Carlos Rocha e Gil Amâncio, em cartaz na Zap 18, faz uma reflexão sobre o modo de vida ocidental contemporâneo e seus valores capitalistas, que incluem o consumo “como se as coisas fossem inesgotáveis”, como diz Carlão, que volta à direção teatral após nove anos.

A lógica das grandes cidades contamina a encenação, que se ergue sobre uma mistura de diversas linguagens, pela qual o texto se soma a histórias em quadrinhos de Marcelo Lelis, animações feitas a partir dos traços do quadrinhista mineiro, fotografias, vídeos e projeção de lettering. “Essa mistura já nos remete a essa questão do urbano, que é muito estratificado, múltiplo. Isso é meio estonteante, quase como se fosse um carrossel. E o urbano é como um personagem dentro da cena”, diz Carlão.

Por sugestão sua, ele e Amâncio chamaram Marcelo Lelis – ilustrador nascido em Montes Claros, já premiado com o Troféu HQMix e reconhecido internacionalmente – para criar a fictícia cidade de Urbanus. Os diretores sugeriram diferentes grandes cidades como ponto de partida para a criação, como Londres, Paris, Nova York, Moscou e Istambul.

“Ele fez o desenho e fomos trabalhando para chegar à identidade específica de Urbanus”, conta Carlão. O mais peculiar da localidade é a presença de um mega transatlântico edificado no coração da cidade, e que funciona como um grande condomínio, cujas paredes – tal como nos castelos medievais – protegem a elite da cidade. “E a cidade se organizou a partir disso”, conta o encenador. A trama se concentra no personagem Dil, vivido por André Senna, um escritor recém-chegado à cidade. Em dado momento, urros começam a ser ouvidos – metáfora para o ser humano e a cidade no limite. “Num quarto fuleiro de pensão, ele tenta escrever e refletir. Essa história vem em vários vieses, uma imensa experiência”, diz Carlão.

A parceria com Amâncio na direção se faz sem que os dois dividam tarefas. “O Gil tem um jeito completamente diferente do meu, o que é bom. Eu sou muito rápido, pego o material e destroço rapidamente. O Gil é mais zen, demora mais tempo. Então, fomos equalizando um pouco esse ritmo e tentando ampliar ao máximo a conversa. E a direção foi surgindo junto”. "O Urro"

Direção de Carlos Rocha e Gil Amâncio.

Zap 18 (rua João Donada, 18, Serrano, 3475-6131).

Sábado, às 20h30, e domingo, às 19h. Gratuito

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