Em Minas, entrada de Marina dificulta vida de Dilma e Aécio

Escolha do PSB pela ex-senadora força PT e PSDB a mudarem as suas estratégias no Estado

iG Minas Gerais | Tâmara Teixeira |

Potencial.Marina Silva pode capitalizar a comoção pela morte de Eduardo Campos e além de ter alcançado votação significativa em 2010, retirar votos da presidente Dilma Rousseff e de Aécio Neves em MG
ERALDO PERES
Potencial.Marina Silva pode capitalizar a comoção pela morte de Eduardo Campos e além de ter alcançado votação significativa em 2010, retirar votos da presidente Dilma Rousseff e de Aécio Neves em MG

Minas Gerais, segundo maior colégio eleitoral do Brasil, ganha mais peso na disputa presidencial com a possível candidatura de Marina Silva pelo PSB após a morte de Eduardo Campos. Isso porque, em 2010, a ex-senadora conquistou 21% dos votos no Estado e venceu o pleito em Belo Horizonte.

Apesar de o cenário de quatro anos atrás ser distinto – naquele ano Aécio não estava na disputa e Marina acabou ganhando parte dos votos que seriam de José Serra – a avaliação é que, com a entrada de Marina, o senador Aécio Neves (PSDB) e a presidente Dilma Rousseff terão que rever suas táticas.

Pesquisa DataTempo/CP2, realizada entre 31 de julho e 4 de agosto, mostrou uma situação confortável de Aécio em Minas, que registrou 41,2% das intenções de voto contra 33,8% da petista e 4,8% de Campos.

Para o cientista político Leonardo Avritzer, a disputa em Minas ganha novos contornos. “A candidatura de Campos não havia decolado em Minas. Sua intenção de voto estava concentrada principalmente no Nordeste”, afirmou.

Para ele, Marina pode dar trabalho ao tucano. “Se ela alcança um patamar igual ao dele, o eleitorado vai começar a comparar os dois, o que não acontecia.”

O cientista político Antônio Carlos Mazzeo concorda e afirma que o perfil do eleitorado da ex-senadora se assemelha mais ao dos que preferem Aécio. “Marina passaria a disputar o voto da oposição com Aécio. Ela vai atacar mais onde já tem capital eleitoral. O eleitorado do PT é mais estabilizado”.

Segundo Mazzeo, o nome de Marina aparecerá com índice de intenções de voto superior ao de Campos, principalmente nas próximas semanas. “Com a comoção, ela cresce muito. Mas só teremos dados mais reais após o impacto da comoção”.

Já para o cientista político Moisés Augusto Gonçalves, a comparação com 2010 não é equivalente. “A Marina apareceu em 2010 se contrapondo à velha política, mas ela se contradisse com a aliança com Campos. Marina vai ter um apelo maior, mas a população já não pensa como antes”, diz.

“Marina pode encostar no Aécio e incomodar Dilma forçando um segundo turno. A ex-senadora tira votos do PT e PSDB. Em Minas, Aécio não chega a perder, mas vai ter mais trabalho”, afirma o analista político Gaudêncio Torquato.

Para o presidente do PSDB mineiro, Marcus Pestana, é cedo para fazer projeções, mas ele não acredita em dificuldades para o partido. “Aécio tem grande prestígio. O quadro não muda”, afirmou o deputado federal.

O colega de Câmara, presidente do PSB em Minas, Júlio Delgado, disse que nesta quinta o partido começou a comentar informalmente sobre o futuro da legenda, mas que ainda não se falou em nomes. Delgado aparece como possível vice, o que reforçaria o apelo da chapa socialista em Minas. “Bem-cotada em Minas, Marina teria mais facilidade para enfrentar dois mineiros (Dilma e Aécio)”, afirmou emocionado. 

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