Moradores admitem ceder lotes

Ocupações vão sugerir à prefeitura liberar parte do terreno para o Minha Casa, Minha Vida

iG Minas Gerais | Bernardo Miranda e Bernardo Almeida |

Vigília. Moradores das ocupações Rosa Leão, Esperança e Vitória mantêm mobilização contra despejo
FERNANDA CARVALHO / O TEMPO
Vigília. Moradores das ocupações Rosa Leão, Esperança e Vitória mantêm mobilização contra despejo

Os líderes das ocupações Rosa Leão, Vitória e Esperança anunciaram nesta quinta uma nova proposta de negociação para evitar a reintegração de posse autorizada pela Justiça. Eles aceitam ceder parte do terreno invadido na Granja Werneck, no bairro Zilah Spósito, na região Norte de Belo Horizonte, para viabilizar a construção de 8.896 apartamentos do programa Minha Casa, Minha Vida, do governo federal. Para isso, os acampados pedem para ter acesso ao projeto da obra, com o objetivo de planejar a desocupação da área necessária ao empreendimento. Nesta quinta, eles se reuniram com a procuradora de Justiça Gisela Potério Saldanha para pedir que uma nova negociação seja aberta. Os moradores pretendem apresentar a nova proposta para as partes envolvidas no processo antes do cumprimento da ordem de reintegração de posse. Como O TEMPO mostrou com exclusividade nesta quinta, uma cláusula no contrato firmado entre a Prefeitura de Belo Horizonte, a Caixa Econômica Federal e a construtora responsável pelo empreendimento determina que o terreno onde os prédios serão construídos deve estar livre até o dia 30 de agosto. Caso isso não ocorra, o financiamento será suspenso. “A todo momento procuramos o diálogo, mas não fomos atendidos pela prefeitura. Ela informa que ofereceu apoio logístico, mas em momento algum fez isso”, afirmou Charlene Cristiane, moradora do Rosa Leão. Também representante das ocupações, o assessor da Comissão Pastoral da Terra, frei Gilvander Moreira, disse que já conversou com alguns dos proprietários do terreno. “Diante da intransigência da prefeitura, estamos negociando diretamente com os empresários por meio de um diálogo intermediado pelo Ministério Público. Dois dos três grupos de proprietários já se mostraram sensibilizados com a nossa situação. O outro se recusou a negociar”, afirmou. Procurado nesta quinta, o Executivo não comentou a nova proposta de negociação. De acordo com a prefeitura, como a reintegração de posse já está autorizada pela Justiça, cabe à Polícia Militar executá-la. Justiça. Os advogados dos movimentos que apoiam as ocupações urbanas estão analisando a possibilidade de ingressar com recurso contra a decisão da desembargadora Selma Maria Marques de Souza, que cassou a liminar que impedia a reintegração de posse. Nenhuma medida foi formalizada ainda.

Relembre Junho de 2013. Começa a invasão do terreno na Granja Werneck. Dezembro de 2013. Já com autorização da Justiça para a reintegração de posse, o Estado começa a negociar com líderes do movimento e representantes das demais ocupações de Belo Horizonte. Agosto de 2014. A Polícia Militar começa a se preparar para fazer a reintegração de posse. Porém, na terça-feira, na iminência do despejo, a Justiça concede liminar suspendendo a ação. Um dia depois, o Tribunal de Justiça de Minas Gerais cassa a liminar. 

Solidariedade A resistência das ocupações do terreno da Granja Werneck, na região Norte de Belo Horizonte, está recebendo apoio de várias entidades, de acordo com o frei Gilvander. Um caminhão com alimentos foi doado pelo Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), e um grupo de professores e alunos da PUC Minas deve visitar o local ainda na manhã desta sexta. Já o arcebispo dom Wilson Angotti, da Arquidiocese de Belo Horizonte, se comprometeu a celebrar uma missa em cada uma das ocupações.

Vizinhança teme ser alvo de violência Moradores de casas ao lado da área invadida temem que, em caso de despejo, a revolta das pessoas que moram nas ocupações os prejudique. “Já ouvi ameaças de que vão jogar bombas nas casas ao lado (da área invadida). A gente fica com medo de ser atingido também”, afirmou um morador, sob anonimato. O homem reclama também que, simultaneamente à ocupação, houve alta nos índices de criminalidade na região. “Moramos regularmente e acabamos pagando o pato”, reclamou.

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