Pelos caminhos de Inhotim

Coreógrafa Dani Lima e cia de dança do Palácio das Artes criam “Gestos Ordinários”, baseado no acervo do parque

iG Minas Gerais | Lygia Calil |

Beijar. Uma das coleções de gestos da coreógrafa inclui muitos beijos dados ao longo do trajeto, interagindo com o espaço do parque
Rossana Magri
Beijar. Uma das coleções de gestos da coreógrafa inclui muitos beijos dados ao longo do trajeto, interagindo com o espaço do parque

Havia muito tempo que a coreógrafa carioca Dani Lima queria conhecer o Instituto Inhotim, em Brumadinho. A primeira experiência com o espaço, em março deste ano, foi bem diferente do que esperava – isso, porque ela não foi como uma visitante comum. Já chegou ao lugar com uma missão: pensar uma coreografia para a Cia. de Dança do Palácio das Artes apresentar no local.

O resultado das visitas, que hoje ela já perdeu a conta de quantas fez, é “Gestos Ordinários”, espetáculo em cartaz de hoje a domingo.

A coreografia foi criada a partir do acervo artístico e botânico do parque. Uma tarefa desafiadora, segundo Dani. “Quis propor uma conversa com esse espaço ativo, que integra a natureza e a vivência da arte, buscando colocar o corpo em movimento como mais um objeto desse acervo”, explica a bailarina.

Como ela já vinha fazendo uma pesquisa sobre gestos, buscou ampliar o estudo para os espaços do parque.

Assim, em parceria com os 20 bailarinos do grupo mineiro, ela listou movimentos cotidianos que tinham a ver com o lugar. Chegou a uma coleção de gestos, que inclui ações como sentar, deitar, abraçar e beijar.

No espetáculo, não há uma dramaturgia oficial, mas as relações entre os bailarinos, para a coreógrafa, constrói narrativas próprias, sempre baseadas no gesto. “Em uma parte da coreografia, casais se empurram e se reaproximam. Isso traz, para mim, uma dramaturgia da ação, conforme são moduladas”, diz ela.

Executando tais coleções de gestos, os bailarinos percorrem um trajeto por dentro do parque, visitando obras importantes. O passeio começa na área central do Inhotim, na árvore tamboril. Passa pelas galerias de Cildo Meireles e Rivane Neuenschwander, visita o interior da galeria de Adriana Varejão, o “Desert Park” de Dominique Gonzalez-Foerster e, entre outros caminhos, termina no icônico “Magic Square”, de Helio Oiticica.

Editais. Na avaliação da coordenadora de programação cultural do Inhotim, Morgana Rissinger, essa primeira experiência de comissionar um espetáculo de dança baseado no próprio instituto foi muito positiva. “A Dani conseguiu estabelecer uma conversa intensa com o trabalho que a gente desenvolve no Inhotim. Já fazíamos isso nas artes plásticas, convidando os artistas para criarem especialmente para nosso espaço. Ampliar isso para outras artes foi bem interessante”, diz ela.

A coordenadora vê no trabalho da coreógrafa uma relação interessante com as ideias desenvolvidas por outros artistas em obras visuais, como o colecionismo, as listas de objetos e a exposição do corpo.

De tão proveitosa, a ideia, agora, é estender este tipo de comissionamento para outras áreas, lançando editais para o ano que vem. “Queremos abrir inscrições para grupos de dança e teatro, mas ainda não conseguimos o patrocínio para isso. Permanece como intenção”, explica Morgana.

Agenda

O quê. Espetáculo “Gestos Ordinários”, da coreógrafa Dani Lima, com a Cia. de Dança do Palácio das Artes

Quando. De hoje a domingo, às 14h30

Onde. Instituto Inhotim, Rua B, 20, Inhotim, Brumadinho

Quanto. R$ 30 (entrada para o parque)

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