Veteranos e novatos pelo jazz

12ª edição do festival começa amanhã, com menos dinheiro e dias d e programação, mas com a mesma essência

iG Minas Gerais | lucas simões |

Brasil. O pandeirista Túlio Araújo lança na Savassi e em NY seu segundo disco, “East”
FLÁVIO CHARCHAR/DIVULGAÇÃO
Brasil. O pandeirista Túlio Araújo lança na Savassi e em NY seu segundo disco, “East”

Depois de ocupar as ruas de Belo Horizonte por mais de uma década, ajudar a democratizar o jazz e a revelar talentos para o Brasil e o exterior, o Savassi Festival ainda esbarra em problemas de financiamento e captação de recursos. Tentando driblar as adversidades, a 12ª edição do festival, que começa amanhã e vai até o dia 24 de agosto, vai manter a pluralidade e encontros inéditos, trazendo 20 atrações de países como Dinamarca, EUA e Espanha para se apresentar em dez palcos diferentes pela cidade.

“Se há cinco anos a gente tinha um cenário para conseguir recursos, hoje temos outro, mais difícil e mais desconfiado. A Copa das Confederações e a Copa do Mundo atraíram investimentos culturais para nichos diferentes, isso também pesou”, afirma Bruno Golgher, idealizador do festival, que prefere não falar em valores, mas conta com apoios de leis municipais e federais, das embaixadas da Dinamarca e Espanha, além do patrocínio principal da Unimed.

Nesse cenário, ainda que o Savassi Festival disponha de menos dinheiro e tenha dimunuído de 12 para nove dias de programação, os principais alicerces do evento foram conservados.

Em primeiro lugar, a grande homenagem. Neste ano, as reverências serão feitas ao saxofonista e arranjador mineiro Nivaldo Ornelas, umas das principais referências locais do jazz. Fundador do Clube Berimbau na década de 1960, ponto de encontro dos músicos que formariam mais tarde o Clube da Esquina, o músico fará um concerto especial com a Orquestra Sinfônica de Minas Gerais (OSMG), no dia 22, onde vai receber o prêmio Jazz de Minas.

Além disso, o trombonista norte-americano Chris Washburne é o convidado à residência artística desta vez. Professor de música do Programa de Desempenho Jazz Louis Armstrong na Universidade de Columbia, em Nova York, o trombonista vai passar uma temporada de dez dias na capital mineira para ensaiar e se apresentar em show inédito com a Big Band do Palácio das Artes, no dia 24. “Compus uma música inédita para essa apresentação em mais ou menos um mês. O que mais me agrada é poder gravar um disco depois com essa obra, ao lado de uma Big Band excelente”, diz Washburne.

Outro ineditismo do Savassi Festival é o convite para que um compositor brasileiro se apresente pela primeira vez na seção Première Mundial. Assim, o compositor mineiro Rafael Martini vai executar a peça “Suíte Onírica” com arranjos da Orquestra Sinfônica de Minas Gerais, no Grande Teatro Palácio das Artes, na Noite de Gala do festival. “Eu fiz a melodia e o Makely Ka escreveu um texto baseado em simbologia dos sonhos, muito influenciado pela obra do Hermeto Pascoal”, diz o compositor.

Outras atrações instigantes do Savassi Festival ficam por conta do trio britânico-dinamarquês Phronesis, que aterrissa pela primeira vez no Brasil, no dia 23, para se apresentar no Palco Café Rua, na Savassi. Composto pelos jovens Jasper Høiby, 28 (contrabaixo), Ivo Neame, 32 (piano) e Anton Eger, 35 (bateria), o grupo vai tocar canções do álbum “Life to Everything” (2014). Além disso, o trio espanhol Eladio Reinón Quartet, e os noruegueses do Lage Lund Trio são nomes internacionais de peso presentes no festival.

NACIONAL. Do lado brasileiro, além de shows de nomes como o multi-instrumentista Egberto Gismonti e do pianista André Mehmari, o Savassi Festival também aposta em pratas da casa que ainda buscam espaço no jazz.

Nessa proposta, a banda Sem Receita, vencedora da etapa local do Novos Talentos do Jazz, se apresenta no Palco Unimed, na Savassi, no dia 24. “A gente sempre admirou grupos como o Toca de Tatu, que não passou na seletiva ano passado. Foi uma grande surpresa poder mostrar nosso trabalho agora, que é todo focado no título do grupo, uma mistura improvisada sem tantas regras”, diz o baixista Rodrigo “Boi” Magalhães.

Além disso, o festival também abre espaço para apresentações dos alunos da Pro-Music (Palco Sub-17) e da Escola de Música da UFMG. “É dessa união de grandes nomes do jazz e talentos que ainda estão despontando que o festival é feito”, completa Bruno Golgher.

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