Waldir fala sobre situação do município

Vice havia adotado medias de austeridades que não foram continuadas pelo prefeito Carlaile

iG Minas Gerais | Da Redação |

Por causa de suas medidas, o prefeito, ao retornar de licença, demitiu auditores e tirou a equipe que praticava medidas de austeridade. O que o senhor diz agora, seis meses depois?

Ao assumir a prefeitura, a pedido do próprio prefeito, assustei com tanto descontrole. Contratos milionários sem a menor fiscalização, excesso de cargos comissionados e muita gente ganhando sem receber, além das denúncias de corrupção. O que fizemos era necessário. Não precisava ser nenhum profeta para imaginar que a prefeitura teria dificuldades.

A prefeitura está engessada?

Diminuir a dívida fundada, que, em janeiro, era de R$ 320 milhões, é essencial. A dívida imediata, que somava R$ 180 milhões, deveria ser paga neste ano. Para isso, fizemos um plano de renegociação com os fornecedores e de medidas austeras que seriam capazes de reduzir esse custo e devolver a saúde financeira ao município. Mas, agora, parece que devem se somar à dívida anterior mais R$ 106 milhões. Ficará impagável.

O que foi proposto não foi colocado em prática?

Não. Pelo contrário, quando o prefeito retornou de licença, ele achou que estávamos exagerando. Falou até em golpe político. Agora, está aí, tendo que chamar os vereadores e assumir que estávamos certos. Porém, o plano que ele coloca em prática é caolho. Prejudica os mais pobres, corta de quem já não tem. Nós fizemos o contrário. Queríamos tirar de quem não estava trabalhando, cortar regalias, diminuir contratos milionários que não significam melhorias para a cidade e exigir contrapartidas de empresas. Ele não entendeu nada e continua tendo uma visão equivocada de uma gestão pública. Ser prefeito é sentar na cadeira e administrar, ouvir seus colaboradores e aceitar críticas.

Quais medidas foram anuladas?

Cortamos 96 cargos comissionados, reduzimos 147 cargos-fantasma e reduzimos, de uma só vez, 36 caminhões e 25 veículos que não prestavam serviços para a prefeitura. Isso tudo em menos de 30 dias. Somente essas medidas significavam R$ 45 milhões de economia. O prefeito voltou e aumentou o número de cargos.

A redução do salário do prefeito foi importante nisso?

A redução não é uma quantia significativa, mas é uma medida didática. Estava querendo mostrar que o esforço tem que ser de todos, a começar pelo chefe. Reduzindo o salário do prefeito, também reduziríamos os supersalários na prefeitura.

E a extinção do Ippub?

Era um órgão desnecessário, já que tudo poderia ser feito pelos próprios funcionários da prefeitura. Porém, o nome Ippub acabou, mas o prefeito voltou com todos os cargos que tinham sido extintos.

Betim ainda tem jeito?

Acredito que sim, mas é preciso um governo sério. Este que está aí não tem mais condições morais de promover as reformas necessárias. Infelizmente, não pensávamos que este governo tinha a intenção de administrar para poucos e se esquecer da população. Sinto vergonha de ter feito parte da coligação que o elegeu. Vou carregar essa vergonha comigo. Mas, pelo menos, rompi com esse ciclo. Deixei claro que não compactuo com essa forma cruel de tratar os pobres desta cidade. A violência, a falta de saúde, o caos na prefeitura, a falta de assistência social e a ausência de amparo às crianças continuam da mesma forma, como a prefeita do PT deixou.

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