Carlaile chama vereadores e diz que dívida aumentou

Segundo Marcão Universal, déficit do município, que já era altíssimo, terá um novo impacto de R$ 107 milhões

iG Minas Gerais | Da Redação |

Eleito pelo prefeito como “inimigo”, Vinícius Rezende (SD) cobra mais austeridade na gestão
JOÃO LÊUS/ARQUIVO
Eleito pelo prefeito como “inimigo”, Vinícius Rezende (SD) cobra mais austeridade na gestão

A dívida consolidada do município, estimada em R$ 521 milhões, conforme a prestação de contas realizada pelo Executivo em abril deste ano, ao que tudo indica, é ainda maior. Em reunião a portas fechadas com os vereadores, o prefeito Carlaile Pedrosa (PSDB) teve a difícil tarefa de assumir que o endividamento de seu governo deve aumentar em mais R$ 107 milhões.

O alerta vem no momento em que os serviços básicos da administração pública apresentam sinais de falência. Somente nesta semana, funcionários de uma empresa de manutenção e limpeza que presta serviços para as secretarias de Saúde e Educação paralisaram as atividades por causa de atrasos nos salários. A justificativa da prestadora de serviços foi de que o município não fez os repasses a tempo.

Porém, o que mais aterroriza quem trabalha na prefeitura é a possibilidade de ocorrer atrasos no pagamento de servidores. A hipótese, até então inimaginável, circula nos corredores da prefeitura e não é descartada até mesmo por vereadores ligados ao prefeito. Um deles, que pediu anonimato, disse à reportagem que o próprio prefeito teve que usar sua influência para conseguir antecipar R$ 8 milhões para bancar a folha de pagamentos de junho. “Sabemos que isso pode ser considerado até ilegal, mas foi a salvação para o prefeito”, disse.

O momento atual da gestão apenas reforça a necessidade das medidas de austeridade que estavam sendo adotadas pelo ex-prefeito Waldir Teixeira (PV) durante licença médica de Carlaile, entre os meses de janeiro e fevereiro deste ano. O plano apresentado por Teixeira pouparia, em três anos, R$ 220 milhões, além de reduzir gastos através de cortes de cargos comissionados e de uma readequação de convênios considerados de baixa produtividade.

As medidas também incluíam o pagamento da dívida fundada do município e a redução de juros e outros gastos imediatos da prefeitura.

O vereador Vinícius Resende (SD), durante a reunião da Câmara desta semana, criticou o fato de o governo ter cortado benefícios dos funcionários que menos recebem. “A prefeitura, às escuras, retirou o Cartão Cesta Servidor dos estagiários e dos pensionistas. O que não é possível entender é por que o prefeito não corta de quem tem mais. Não há instituição que suporte tantos cargos comissionados e tanta gente que fica pendurada sem fazer nada”, disse.

O vereador defendeu as propostas de austeridade, que, para ele, tinham que ser cumpridas. “Eram essenciais. Carlaile não quis ser ajudado. Preferiu a arrogância e a velha política de beneficiar amigos. A responsabilidade desse caos que impera na prefeitura é toda dele. Cabe ao prefeito responder pelo castigo que está impondo a quem confiou nele. Esperávamos uma gestão correta, transparente e honesta. Mas o que se vê é um descontrole completo, é falta de gestão, preguiça. Desse jeito, o dinheiro de Betim, que não é pouco, acaba no ralo”, alertou Vinícius.

O presidente da Câmara dos Vereadores, Marcão Universal (PSDB), apesar de mais comedido, não poupou críticas à gestão. “Se o governo não tomar medidas drásticas de contenção de gastos, o município vai quebrar. A dívida está se tornando uma bola de neve. É preciso fazer cortes”, afirmou. Na semana passada, vereadores da base já tinham feito críticas públicas a Carlaile. “Está tudo da mesma forma que no tempo do PT”, disparou Pãozinho (PV).

Em nota, a assessoria da prefeitura confirmou que o prefeito se reuniu com os vereadores, porém, negou que ele “teria usado de influência pessoal para angariar fundos para a folha de pagamento de junho”. A prefeitura afirmou ainda que “o pagamento em dia ao funcionalismo público é uma das prioridades da atual gestão e não há possibilidade de ocorrerem atraso ou falta de recursos financeiros para esse fim.”

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