Minas anuncia plano contra o ebola

Medida inclui capacitação de profissionais de saúde e compra de 3.000 equipamentos, como máscaras

iG Minas Gerais | Litza Mattos |

Secretário José Geraldo de Oliveira Prado em coletiva ontem
HENRIQUE CHENDES / SES MG
Secretário José Geraldo de Oliveira Prado em coletiva ontem

O Comitê Estadual de Emergência em Saúde do Estado de Minas Gerais anunciou nesta quinta as medidas preventivas e ações que serão tomadas caso chegue no Estado algum caso suspeito de ebola procedente dos países Guiné, Serra Leoa, Libéria e Nigéria.

Entre as medidas está a compra de 3.000 unidades de Equipamentos de Proteção Individual (EPI) – que incluem macacões, máscaras, óculos, botas, entre outros itens – e a capacitação dos profissionais de saúde. Como para um único paciente infectado são necessárias 700 unidades de EPI, está em processo a compra de mais equipamentos.

Em Belo Horizonte, no Barreiro, o Hospital Eduardo de Menezes – referência em infectologia – conta com quatro unidades de leitos separadas, mas pode ser adequado e ampliado conforme a necessidade, afirmou o secretário de Estado de Saúde, José Geraldo de Oliveira Prado. “Vivemos um momento de tranquilidade, mas é a hora de nos prepararmos e de buscar dar mais tranquilidade à população”.

Mesmo não havendo estatísticas que preveem as chances de a doença chegar ao país, já está sendo feito um acompanhamento dos aeroportos, juntamente com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e a Infraero. “Não temos voos diretos para o continente africano, então nós estamos fazendo esse monitoramento, mas o plano prevê a distribuição de um protocolo de atenção para que os profissionais dos municípios e dos diversos serviços de saúde, uma vez detectando alguém com esse perfil de risco, saiba exatamente como proceder”, disse.

Para a infectologista e coordenadora do comitê, Tânia Marcial, a preocupação é com as pessoas que trabalham no continente africano. “Muitas que trabalham lá e são de Minas estão retornando devido ao risco que elas estão correndo lá”.

Procedimento. Caso desembarque em Minas alguma pessoa procedente desses países, a orientação é para que o paciente seja colocado em uma sala isolada, e não deve ser realizado nenhum tipo de coleta de sangue, urina ou fezes. Imediatamente deve ser feita uma notificação aos Centros de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde (Cievs). O transporte do paciente será feito pelo Serviço Médico de Atendimento de Urgência (Samu) ou bombeiros.

“O exame (de ebola) é de responsabilidade do Ministério da Saúde, mas será feito nos EUA, em Atlanta, e deve ficar pronto em uma semana. Antes disso, um teste rápido para detectar a suspeita será feito no Instituto Evandro Chagas”, explica Tânia.

Segundo a infectologista, durante a espera do resultado, o paciente será tratado como se tivesse malária. “Hoje em MG a gente já faz a vigilância das pessoas que chegam da África com febre até 30 dias e a primeira suspeita é de malária”.

Americano infectado deve ter alta Atlanta, EUA. O médico norte-americano infectado com o vírus ebola enquanto tratava pacientes na Libéria terá alta do hospital em Atlanta, onde está internado, em breve, anunciou nesta quinta o grupo de ajuda cristão do qual ele faz parte, segundo a agência France Presse. Já a Casa Branca determinou a retirada de todos os familiares dos funcionários diplomáticos em Freetown, capital de Serra Leoa. O governo norte-americano alegou limitações em conseguir atendimento médico regular na região. Desde março, foram registrados 1.975 casos. Dos infectados, 1.069 morreram.

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