'Perdi um amigo', diz primeiro funcionário nomeado por Campos

Gilson Higino da Silva, de 47 anos, estava inconsolável nesta quinta-feira (14) ao lembrar os momentos vividos ao lado do candidato à presidência

iG Minas Gerais | DA REDAÇÃO |

Ele chamava Eduardo Campos de "pai" e ainda carrega uma foto do chefe no "papel de parede" do seu telefone celular. Responsável por servir o ex-governador de Pernambuco no dia a dia, o segundo maitre do Palácio do Campo das Princesas, sede do governo de Pernambuco, Gilson Higino da Silva, de 47 anos, estava inconsolável nesta quinta-feira (14).

Gilson foi o primeiro funcionário a ser nomeado quando Campos tomou posse no governo, em 2007. Havia exercido a mesma função no governo do avô de Campos, Miguel Arraes, entre 1995 e 1998.

"Ele dizia a todos, até para deputados e senadores, que eu não era um funcionário, mas um amigo. E eu digo a mesma coisa: não perdi um patrão, perdi um amigo", diz Gilson, visivelmente abalado.

Durante sete anos e meio, conviveu quase que diariamente com o ex-governador. Também atendia o presidenciável em festas da família.

No último domingo (10), dia dos pais e aniversário de Campos, passou o dia na casa do candidato. "Ele estava tão feliz, tão bem ao lado da família... É inacreditável o que aconteceu", diz o funcionário, que conta que "perdeu o chão" ao receber a notícia da morte do ex-governador

Workaholic

No dia a dia no governo, Gilson chegava ao palácio para trabalhar no início da tarde, mas não tinha hora para sair. E diz que não é exagero a fama de "workaholic" do antigo patrão.

Diz que era comum as reuniões se estenderem madrugada adentro. "A gente via os secretários mortos de sono e ele lá, incansável."

Durante os feriados, deixava a agenda administrativa de lado para participar de atos políticos.

Costumava fazer as refeições no próprio palácio, onde gostava de comer carne de bode, costela e macarrão. Sua sobremesa preferida era "cartola", doce tipicamente nordestino feito com banana, queijo coalho e canela.

No campo político, Gilson destaca a habilidade para negociar de Campos, que conseguiu unir ao seu governo antigos aliados do seu grupo, como o senador Jarbas Vasconcelos (PMDB).

E diz que o antigo chefe gostava de resolver os problemas com agilidade, o que também cobrava dos seus secretários.

Essa, diz o maitre, era a principal característica que o diferenciava do avô Miguel Arraes. "Com Eduardo, as coisas tinham que acontecer na hora."

Otimista em relação às eleições deste ano, Campos já havia prometido aos auxiliares mais próximos que estes iriam para Brasília, caso fosse eleito. Gilson era um deles.

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