Atraso de salários motiva ato de agentes da limpeza

Funcionários da empresa licitada pela prefeitura para prestar serviços ao município estavam sem receber desde o quinto dia útil; pagamento só caiu na quarta (13) à noite

iG Minas Gerais | DAYSE RESENDE |

Usuários reclamaram da sujeira na UAI
FOTOS CEDIDAS POR AGENTES DA LIMPEZA
Usuários reclamaram da sujeira na UAI

Um grupo de agentes da limpeza foi à prefeitura, na manhã de quarta-feira (13), protestar contra o atraso no pagamento de salários e benefícios. Na segunda-feira (11), cerca de 30 funcionários já haviam se reunido na sede do Sindicato dos Empregados em Empresas de Asseio, Conservação e Limpeza Urbana da região metropolitana de Belo Horizonte (Sindi-Asseio), no centro de Betim, para pedir providências sobre o caso, que foi denunciado ao Ministério Público (MP).

Somente após o ato, os salários e os tiquete-refeição foram creditados nas contas dos cerca de 520 agentes contratados pela Setsys – empresa licitada pelo município para prestar serviços de conservação e limpeza em creches, escolas e unidades de saúde. Os repasses estavam atrasados desde o quinto dia útil deste mês, fato que fez com que os funcionários ameaçassem cruzar os braços.

“A situação é absurda. A gente trabalha porque precisa. As contas estão todas atrasadas. Queremos entender o que, de fato, está acontecendo. Precisamos de uma resposta”, justificou Zélia Gomes Barbosa, 57.

Trabalhando há mais de três anos no município, a agente de limpeza Laeti da Silva, 47, mãe de seis filhos, também queria explicações sobre os atrasos. “A gente não sabe o que está acontecendo. Eles cobram resultados, mas não cumprem a parte deles. Queremos receber. As contas estão todas atrasadas”.

Para Gildete Ferreira dos Santos, 39, a situação é “desrespeitosa”. “Não tenho marido para me ajudar em casa. Como vou colocar comida dentro de casa para alimentar os meus três filhos menores de idade?”, questionou.

Sujeira Por causa das manifestações, escolas e creches, postos de saúde e Unidades de Atendimento Imediato (UAIs) da cidade, além do Hospital Regional, ficaram sujos na última semana.

Uma das situações mais complexas foi a da UAI Sete de Setembro. A reportagem esteve no local, na manhã de terça-feira (12), e flagrou muito lixo e sujeira espalhados pelo chão. “Com as manifestações, alguns funcionários da limpeza deixaram de trabalhar”, explicou uma servidora da saúde, que pediu para não ser identificada por medo de represálias.

Outras agentes, no entanto, não conseguiram apoiar suas colegas, porque teriam sofrido ameaças. “Queríamos ter denunciado esses atrasos no mês passado, mas fomos ameaçados pela chefia. Desta vez, as coordenadoras chegaram a trancar a porta da sala onde fica a máquina de ponto, impedindo, assim, que saíssemos”, garantiu uma agente de limpeza do Hospital Regional.

Impasse À reportagem, o diretor financeiro do Sindi-Asseio, Herculano Araújo, disse que os atrasos ocorrem há mais de um ano porque há um impasse contratual entre a prefeitura e a Setsys. “O sindicato tem tentado resolver esse problema há meses, mas contratante e contratado têm versões diferentes. A empresa diz que só paga os salários se receber o repasse, pois não tem capital de giro. Já a prefeitura, que tem até 30 dias para repassar a verba à empresa após a emissão da nota, diz que não tem débitos”.

Ainda segundo Araújo, o problema ocorre porque há uma brecha na licitação. “Com o passar dos meses, toda empresa que vence uma licitação em Betim fica sem reserva técnica para quitar seus compromissos. Isso ocorre porque a prefeitura só paga os reajustes com base na inflação, enquanto o ideal é que isso ocorra segundo o aumento concedido à categoria”, explica o diretor, ao ressaltar que o contrato entre a Setsys e a prefeitura venceu no último dia 2. “Os funcionários já deveriam estar de aviso prévio. No entanto, parece que a empresa quer aguardar uma decisão da Justiça sobre os débitos”, completou.

Através de nota, a prefeitura informou apenas que está em dia com suas responsabilidades com a Setsys e que já havia realizado a transferência da verba para a empresa.

Já na Setsys ninguém foi encontrado para se pronunciar. A diretoria também não respondeu os questionamentos feitos por e-mail.

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