Diretora de escola vizinha ao acidente suspendeu aula antes de queda

A diretora da escola, Sueli de Lima, 40, que fica a uma quadra do acidente, decidiu logo no início da manhã interromper as atividades do dia

iG Minas Gerais | DA REDAÇÃO |

Quarenta e duas crianças foram poupadas do trauma da queda do avião em Santos (SP), na última quarta-feira (13). Diferentemente dos vizinhos da área atingida, os alunos de um a quatro anos da escola infantil Flauta Mágica não estavam em aula. O motivo: falta d'água na cidade.

A diretora da escola, Sueli de Lima, 40, que fica a uma quadra do acidente, decidiu logo no início da manhã interromper as atividades do dia. "Não tinha uma gotinha na torneira. Os pais que trouxeram as crianças levaram de volta. Às 10h, só tinha os funcionários da escola, nenhuma criança", conta.

O que antes era uma preocupação com as rotinas da escola afetada pela interrupção do abastecimento, agora é entendido por Sueli como proteção divina. "A falta d'água foi um plano espiritual. Foi um anjo bem grande que protegeu", diz Sueli.

Mesmo que a escola não tenha sido atingida, a preocupação da diretora é que as crianças teriam de lidar com muito medo e ansiedade por causa do barulho. "Poupamos as crianças, elas estariam no pátio naquele horário. Tenho alívio e gratidão. Até os pais foram poupados da dúvida sobre o estado das crianças", conta.

As aulas seguem suspensas até uma nova orientação da Defesa Civil. Além da Flauta Mágica, outras escolas infantis funcionam na rua. O Colégio Plenitude e Colégio Alexandre Herculano também estão com as aulas suspensas, mas funcionavam normalmente no momento do acidente.

ATIVIDADE DE AULA

"Estamos xeretando", conta Pedro Woods Dalur,11, que estuda no turno da manhã na escola. Ele diz que no colégio "só se fala disso". "Todo mundo quer saber detalhes porque sabe que eu moro perto", afirma.

Outro aluno da escola particular Rita de Cássia, Giancarlo Muniz Lima, 12, diz que seu professor de Português falou bastante sobre o acidente durante a aula desta quinta-feira (14). "Ele fez um curso de manutenção de aeronaves e estava explicando sobre as turbinas", conta Giancarlo.

O impacto social do acidente se refletiu também nos exercícios pedagógicos. Na aula de produção textual, Giancarlo, assim como os 16 colegas da sétima série, teve que escrever uma redação de 15 linhas sobre a queda do avião de Eduardo Campos. "Como eu estava na aula do acidente, escrevi tudo o que a minha vó contou", diz. A vó de Giancarlo estava em casa, próximo ao local da queda, e ouviu o barulho.

"Tu viu o helicóptero ontem à noite? E o drone sobrevoando? Eu vi", perguntou Pedro, xeretando.

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