Vendas no varejo recuam 0,7% em junho, aponta IBGE

O resultado foi divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quinta-feira (14) e ficou abaixo das previsões do mercado, que projetavam alta de 0,4%

iG Minas Gerais | DA REDAÇÃO |

A redução dos dias úteis em função da Copa do Mundo foi o principal motivo que levou o comércio varejista a registrar queda de 0,7% nas vendas em junho deste ano frente a maio, que havia tido alta de 0,3%.

O resultado foi divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quinta-feira (14) e ficou abaixo das previsões do mercado, que projetavam alta de 0,4%, segundo 29 economistas ouvidos pela Bloomberg.

Já as receitas obtidas pelo varejo, um outro indicador, recuaram 0,2% no período, em seu primeiro resultado negativo desde maio de 2012.

No comparativo com o resultado de junho de 2013, as vendas no varejo foram 0,8% maiores. No acumulado de 2014, a alta foi de 4,2%, e no corte em 12 meses até junho, foi de 4,9%.

As vendas registradas em junho frente a igual período de 2013 foram 0,8% maiores. No acumulado dos seis primeiros meses do ano, a alta foi de 4,2%, e no corte em 12 meses até junho, foi de 4,9%.

Segmentos

O segmento de hipermercados e supermercados foi o que sentiu menos o impacto da redução dos dias úteis no período da Copa, e as vendas subiram 0,6% junho frente ao mês imediatamente anterior. Os estabelecimentos, em geral, fecharam no horário dos jogos, mas reabriam logo em seguida.

Segundo a gerente da coordenação de Serviços e Comércio do IBGE, Juliana Vasconcellos, também contribuiu o fato de nesses locais venderem itens de primeira necessidade, como produtos de higiene pessoal e alimentos, que mesmo com o torneio não tiveram seu padrão de consumo alterado.

O segmento de supermercados foi o único das oito atividades de varejo monitoradas pelo IBGE que, em junho, teve variação positiva.

Varejo Ampliado

O chamado "varejo ampliado" que, além dos oito segmentos também inclui vendas de veículos e material de construção, recuou 3,6% em junho ante maio. O mau desempenho desses dois setores ajudou na queda do índice.

Veículos, motos e peças foi o segmento que apresentou a maior queda em junho, de 12,9% frente a maio. No sexto mês do ano, frente a igual período do ano anterior, a queda é de 18,7%. No acumulado de 12 meses, o recuo observado é de 4,3%.

Segundo Vasconcellos, os percentuais demonstram que após cinco anos de política de incentivo do governo federal, com redução de IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) para motos e veículos, a demanda "acomodou".

Esse movimento é reflexo também de uma redução do crédito e do comprometimento maior da renda das famílias com dívidas passadas. A técnica explicou que até nesse segmento, o impacto da redução de dias úteis em função da Copa também foi sentido, já que as concessionárias tiveram menos dias para funcionar.

"No caso de veículos, a queda já vem ocorrendo há alguns meses, dado que já se tem um incentivo do governo há cinco anos que proporcionou a acomodação do mercado, a redução do ritmo de crédito que o Banco Central aponta e também a questão das famílias já terem comprometido suas rendas ao longo desse tempo", explicou Vasconcellos.

As vendas somente de material de construção caíram 3,9% no período. "As pessoas adiaram reformas e outros tipos de obras em suas casas durante a Copa do Mundo", disse.

Outras quedas

A atividade relacionada ao mercado de livros, jornais, revistas e papelaria registrou queda de 5,3% em junho frente a maio. Equipamentos e material para escritório tiveram recuo de 4,2%. A redução das vendas de combustíveis e lubrificantes foi de 2,3%.

Já móveis e eletrodomésticos tiveram retração de 2,1% no volume de vendas de junho em relação a maio. Tecidos e calçados (-1%), artigos farmacêuticos (-0,9%) e outros artigos de uso pessoal e doméstico (0,5%) também recuaram.

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