Mesmo com liminar de terça, moradores mantiveram vigília

Logo depois da confirmação da liminar e da suspensão da operação, as viaturas que rondavam a região deixaram o local

iG Minas Gerais | Bárbara Ferreira |

Os moradores das ocupações Rosa Leão, Esperança e Vitória, instaladas no terreno da Granja Werneck, na região Norte da capital, receberam com cautela a notícia da liminar que protelou mais uma vez a ação de despejo na área no fim da noite dessa terça. A reportagem passou a noite de terça para quarta em uma casa da ocupação e constatou que, mesmo após o anúncio da suspensão de reintegração de posse, os moradores mantiveram a mobilização, as barricadas e as vigílias por medo de a liminar ser suspensa – como realmente aconteceu na noite desta quarta.  

Na noite dessa terça, um helicóptero da Polícia Militar sobrevoou a área por várias horas. Rondas constantes eram feitas nas principais entradas da ocupação e, em uma assembleia, lideranças orientavam os moradores a não entrarem em conflito com os militares.

Segundo os líderes comunitários, ainda não era possível acreditar na liminar da Justiça, pois poderia se tratar apenas de uma estratégia para desmobilizar os ocupantes. “É igual ao Pinheirinho (ocupação em São Paulo). Eles conseguiram uma liminar, se desmobilizaram, e três dias depois a polícia invadiu e foi um massacre”, afirmou Leonardo Péricles, membro do Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas.

Logo depois da confirmação da liminar e da suspensão da operação, as viaturas que rondavam a região deixaram o local. A movimentação foi menos intensa que na noite anterior, mas as barricadas permaneceram. “A vontade é de sair, gritar e comemorar, mas não sei se realmente vou poder ficar com a minha casa. Mesmo com uma boa notícia, o medo de retomarmos o pesadelo a qualquer momento não vai embora”, desabafou um dos moradores da ocupação Rosa Leão. 

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