Falta de foco torna biografia cansativa e redundante

iG Minas Gerais |

Atuações de Júlio Andrade e Lucci Ferreira são destaques do longa
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Atuações de Júlio Andrade e Lucci Ferreira são destaques do longa

Paulo Coelho prega que, quando realmente se deseja alguma coisa, o universo conspira a seu favor. É de se perguntar, após assistir a “Não Pare na Pista – A Melhor História de Paulo Coelho”, se o escritor desejou o bastante que fosse bom o filme sobre sua vida que estreia hoje.

Talvez ele tenha desejado que o longa fizesse sucesso – um parâmetro bem mais associado a sua obra do que “bom ou ruim”. E considerando a quantidade de fãs que Coelho cultivou com sua literatura/autoajuda, esse é um desejo bem mais possível de se realizar.

Porque “Não Pare na Pista” é daquelas cinebiografias que tratam seu protagonista como um gênio incompreendido. Uma alma torturada por seus próprios poderes quase sobre-humanos – um semideus. E por isso mesmo, é difícil que o longa conquiste quem já não é muito fã dos escritos do autor.

Mas o grande problema do filme é a falta de foco. A história acompanha três momentos da vida de Coelho: a adolescência e o conflito com o pai conservador (Enrique Diaz); a juventude e a parceria com Raul Seixas durante a ditadura; e uma viagem nos dias de hoje, em que o escritor refaz o caminho de Santiago de Compostela, na Espanha.

Qualquer uma das três fases poderia gerar um longa interessante. Mas a soma delas acaba redundante e cansativa. O filme só explode mesmo quando o ator Júlio Andrade entra em cena como o Coelho jovem – e é sintomático que as cenas mais empolgantes sejam aquelas com Raul Seixas (numa caricatura de Lucci Ferreira, trazendo leveza a um filme que se leva a sério demais).

Mesmo essa fase, porém, conta com gorduras sem objetivo, como a namorada vivida por Paz Vega, que vai do nada para o lugar nenhum. A adolescência é comprometida pela atuação fraca do estreante Ravel Andrade (irmão de Júlio), o que faz com que o espectador simpatize mais com o pai do que com um adolescente em crise. E a viagem contemporânea é a pior das três, repetindo um trajeto que o roteiro já acompanha na juventude, e servindo apenas para uma cena vergonhosa de merchandising de carro ao som de “My Generation”.

A sequência denuncia as origens publicitárias do diretor Daniel Augusto. Com um estilo visual moderninho, mas óbvio, ele se limita a criar planos como o de uma mosca na sopa, remetendo aos escritos de Coelho.

Produzido pela roteirista Carolina Kotscho (“2 Filhos de Francisco”), o filme deveria servir de vitrine para seu script. Mas a incompetência estrutural e a repetição da mesma mensagem só servem de veículo para as frases feitas de Coelho – que seus fãs vão adorar .(DO)

Outras estreias

Jon Favreau conquistou a crítica e o público do circuito independente dos EUA com a saga culinária de “Chef”. Além dele, o elenco traz Scarlett Johansson e Sofia Vergara.

Os marmanjos podem curar a nostalgia da infância com a nova versão de “As Tartarugas Ninja”. A quinta incursão na telona dos répteis comedores de pizza foi produzida por Michael Bay e traz a beldade Megan Fox no elenco.

Segundo longa do diretor brasiliense Gustavo Galvão, “Uma Dose Violenta de Qualquer Coisa” é um road movie que teve cenas filmadas em Minas Gerais.

Em pré-estreia, chegam a animação “O que Será de Nozes” e a comédia “Sex Tape”, com Cameron Diaz.

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