Com mercado fraco, o setor de veículos mira a exportação

Presidente da Anfavea diz que dificuldades são pontuais

iG Minas Gerais | Juliana Gontijo |


Projeção.
  Estimativa da Anfavea para este ano  é que 400 mil veículos sejam exportados  pelo país
Nissan/Divulgação
Projeção. Estimativa da Anfavea para este ano é que 400 mil veículos sejam exportados pelo país

São Paulo. A indústria automotiva está apostando no mercado externo para manter a produção das montadoras no país. “A saída para os nossos produtos é o mercado internacional”, afirmou o vice-presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Antonio Carlos Botelho Megale, durante o 25° Congresso Brasileiro do Aço, nesta quarta, em São Paulo.  

Para 2017, o plano é exportar 1 milhão de veículos, o que representaria 20% da capacidade produtiva do setor. Em 2005, 30% da produção foi destinada ao mercado internacional, num total de 900 mil unidades. A estimativa para este ano é que 400 mil veículos tenham como destino o exterior, o que representa 15% da produção nacional.

Megale afirmou que o mercado brasileiro tem potencial de crescimento. “Para chegarmos à relação de habitantes por automóvel de países como México e Argentina, considerada boa pelo mercado, a frota brasileira ainda tem que crescer 50%”, ressaltou. Na Argentina, há 3,6 habitantes por automóvel, enquanto no Brasil é de 5,3.

Apesar de o cenário atual não ser dos mais favoráveis, com montadoras suspendendo o trabalho de funcionários, os investimentos previstos para o setor para o período de 2012 a 2018 somam R$ 75,8 bilhões. O montante contempla novas fábricas, ampliação das já existentes, além de investimentos em novos modelos.

Mão de obra cara. Durante o painel “Competitividade Sistêmica da Indústria Nacional”, o vice-presidente da Anfavea ressaltou os problemas enfrentados pelo setor, entre eles o elevado custo da mão de obra, que está próximo de países europeus e dos Estados Unidos, além dos impostos. A carga tributária que incide sobre o setor no Brasil é de 29%, enquanto que na Europa é de 16% e nos Estados Unidos, de 7%. “Mesmo se tivesse tirado o IPI, ainda ficaria alto, entre 22% e 23%”, observa.

O presidente da Anfavea, Luiz Moan, avaliou, em pronunciamento na abertura do 24º Congresso Fenabrave, em Curitiba, que o momento de dificuldades enfrentado pelo setor automotivo é pontual e conjuntural. “Sabemos a situação do mercado, mas temos todas as razões para saber que o momento é pontual e conjuntural”, disse. “Se não fosse assim, a indústria não estaria investindo”.

O setor de automóveis, incluindo máquinas agrícolas, rodoviárias e de autopeças, consome 18% do aço produzido no país. Conforme Megale, é o segundo maior segmento para a indústria do aço, só perde para a cadeia da construção.

Motos mais potentes vendem mais

Curitiba. Enquanto as vendas de motocicletas devem recuar 1% em 2014 ante 2013, para 1,5 milhão de unidades, o mercado para motos de alta cilindrada (acima de 450 cc) e de scooters deve crescer, respectivamente, 18% e 21%. Segundo estimativa da Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares (Abraciclo), as vendas de motos acima de 450 cc devem atingir 60 mil unidades e dominam os lançamentos em 2014, com 22 de um total de 28 de modelos lançados neste ano.

A repórter viajou a convite do Instituto Aço Brasil

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